terça-feira, 31 de maio de 2016

Lucros da Gas Natural caem 18,6% no primeiro trimestre

Empresa espanhola justifica mau momento com efeitos não recorrentes e impacto das variações cambiais no Brasil e Colômbia.

A espanhola Gas Natural Fenosa registou nos primeiros três meses deste ano um resultado líquido de 329 milhões de euros, valor que representa um recuo de 18,6% face a igual período do ano passado, anunciou hoje a empresa em comunicado ao mercado.
As receitas do grupo caíram 16,9% para 5.954 milhões de euros, uma queda que a empresa justifica com a “diminuição do preço das ‘commodities’”. Mas há ainda outras explicações para os maus resultados.
A empresa reporta uma quebra do EBITDA (resultado bruto de exploração) de 9,9% para os 1.216 milhões de euros, que é justificado com a descontinuação de uma unidade de negócios no Chile, “condicionado por um ambiente macroeconómico e energético muito exigente, que afectou em particular a contribuição dos negócios de fornecimento e comercialização de gás e os negócios de distribuição de gás e electricidade na América Latina”. Além disso, a Gas Natural Fenosa fala de um impacto negativo de 52 milhões de euros no EBITDA “fundamentalmente” devido à depreciação do real brasileiro e do peso colombiano.
E a estas justificações, a Gas Natural Fenosa acrescenta que excluindo o efeito cambial e “uma série de impactos não recorrentes por regularizações regulatórias” a quebra dos lucros seria de 8,7% e a do EBITDA de 3,4%.

fonte: http://economico.sapo.pt/

ANP retoma processo para elevar royalties do petróleo para o Rio

Revisão pode elevar receitas do estado em R$ 5,7 bi em 5 anos



BRASÍLIA - A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revogou na última quinta-feira decisão tomada no início do ano que suspendia a revisão de critérios para cobrança de royalties no petróleo.

A medida foi adotada depois de a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ter conseguido uma liminar parcial no Supremo Tribunal Federal (STF) suspendendo a validade da decisão de 20 de janeiro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Na prática, a ANP retoma processo de análise para elevação do preço mínimo do petróleo para fins de apuração das participações governamentais.

Segundo cálculos da Comissão de Tributação e Controle da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, essa revisão pode elevar as receitas do estado em R$ 5,7 bilhões em cinco anos. Para a secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio, o potencial de receita para estado e municípios fluminenses é de R$ 1 bilhão por ano.

A intervenção do CNPE na decisão da ANP ocorreu em meio a uma série de negociações entre o governo federal e as petroleiras, o que resultou em um conjunto de estímulos ao setor anunciado no início deste ano para destravar R$ 300 bilhões em investimentos. As empresas do setor solicitaram e o governo resolveu, por meio da resolução do CNPE, suspender a revisão dos cálculos do preço do barril para efeito de cálculos de participações governamentais em curso na ANP.

Segundo nota da ANP, a decisão da diretoria colegiada da semana passada determina a realização de consulta e audiências públicas antes da adoção da mudança do cálculo.

A medida cautelar foi tomada pelo ministro Luiz Fux no dia 5 de maio. Na decisão, Fux determinou a realização de uma audiência de conciliação, no dia 14 de junho, entre a União e o Estado do Rio, com a participação do Ministério Público Federal.

A Associação Brasileira de Exploração e Produção (Abep), entidade que representa as empresas de exploração e produção do país e trabalha em cooperação com o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), disse que a medida é nociva ao setor e que, se estivesse em vigor em 2015, significaria aumento de R$ 2,1 bilhões em royalties e participações especiais pagas.

A Abep entende que a CNPE teria, de fato, competência para tratar dos preços mínimos para cálculo de participações "por se tratar de nítida questão de política energética nacional". "Essa iniciativa arrecadatória do Estado do Rio de Janeiro, além de ilegal, é nociva para o setor, especialmente neste momento de preços deprimidos e grande competição internacional por investimentos, que leva muitos países a cortarem seus tributos para atrair novos investimentos."



O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, Marco Capute, destacou em nota a importância de a ANP retomar o processo para a revisão de critérios para cobrança de royalties do petróleo, que estava suspensa desde o início do ano.

Para Capute, o governo busca agora corrigir os valores pagos em royalties e participações especiais.

"Foi injusto o CNPE interferir na decisão de uma agência reguladora que deve ter sua autonomia respeitada. A liminar garante o direito legítimo do Estado do Rio de ter o cálculo revisto pela ANP. É preciso começar a fazer Justiça com Rio. É um estudo técnico. Há muito tempo temos sido subtraídos nesses recursos”, destacou o secretário.

A sociedade também pode contribuir para segurança do trabalho dos Gari

O dia 16 de maio é a data que se comemora o Dia do Gari, profissional que tem um papel fundamental para o bem-estar da população porque impede que o lixo se acumule nas ruas e nos bueiros, evitando as enchentes e a proliferação de bichos e doenças.
Os perigos trazidos pelas características operacionais da atividade são agravados por um cenário de pouca atenção da maior parte da sociedade brasileira em relação a esses profissionais,
É necessária a sensibilização de todos para a busca de soluções para o crescente aumento de resíduos de forma a contribuirmos em diminuição dos riscos deste trabalho.

Ações simples podem reduzir e muito os acidentes, como:
- Acomodar em recipiente apropriado materiais cortantes;
- Não colocar cargas pesadas nos lixos;
- Manter as lixeiras em boas condições;
- Prender os animais durante o horário de recolhimento de lixo quando a risco dos mesmos atacarem os Gari;
- Contribuir na seleção do lixo.

fonte: http://www.graalseg.com.br/

Conheça o e-Social

O eSocial é um projeto do governo federal que vai unificar o envio de informações pelo empregador em relação aos seus empregados.
Desde 01/10/2015, está disponível a ferramenta que possibilitará o recolhimento unificado dos tributos e do FGTS para os empregadores domésticos: Módulo Empregador Doméstico. A ferramenta surge para viabilizar a determinação dada pelo texto da Lei Complementar 150, publicada no dia 02/06/2015, que instituiu o SIMPLES DOMÉSTICO com as seguintes responsabilidades que serão recolhidas em guia única:
  • Imposto sobre a Renda Pessoa Física, se incidente - Trabalhador;
  • 8% a 11% de contribuição previdenciária - Trabalhador;
  • 8% de contribuição patronal previdenciária - Empregador;
  • 0,8% de seguro contra acidentes do trabalho - Empregador;
  • 8% de FGTS - Empregador;
  • 3,2% de indenização compensatória (Multa FGTS) - Empregador.
Para evitar problemas na hora de efetivar o registro do seu trabalhador, o empregador poderá utilizar a ferramenta de Consulta Qualificação Cadastral para identificar possíveis divergências associadas ao nome, data de nascimento, Cadastro de Pessoa Física - CPF e o Número de Identificação Social - NIS (PIS/PASEP/NIT/SUS) de seus empregados domésticos. Ao informar os dados citados, o sistema indicará onde há divergência e orientará sobre o procedimento para acerto.
Em 01/10/2015 serão disponibilizadas as opções de cadastramento do empregador, empregado e afastamentos. A partir do dia 26/10/2015 o empregador poderá gerar sua folha de pagamento, efetuar demissões e gerar a guia única que consolida os recolhimentos tributários e de FGTS. Ressalta-se que para a competência de outubro de 2015 o recolhimento deverá ocorrer até o dia 06/11/2015.
Nas rescisões do contrato de trabalho ocorridas até dia 31/10/2015, o empregador deverá utilizar guia específica (GRRF WEB) disponibilizada pela Caixa Econômica Federal para recolhimento de todos os valores rescisórios do FGTS, conforme vencimento legal. Os tributos relacionados ao desligamento serão gerados diretamente pelo eSocial, através da guia única DAE (Documento de Arrecadação do eSocial), gerada no fechamento da folha, com vencimento no dia 06/11/2015.
Maiores informações sobre as funcionalidades do eSocial poderão ser consultados no Manual do eSocial - Empregador Doméstico.
O projeto eSocial é uma ação conjunta dos seguintes órgãos e entidades do governo federal: Caixa Econômica Federal, Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, Ministério da Previdência – MPS, Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. O Ministério do Planejamento também participa do projeto, promovendo assessoria aos demais entes na equalização dos diversos interesses de cada órgão e gerenciando a condução do projeto, através de sua Oficina de Projetos.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Índices do FAP com vigência em 2016 estão disponíveis para consulta

Fator Acidentário de Prevenção foi calculado por estabelecimento empresarial e não por CNPJ raiz
Da Redação (Brasília)

Levantamento feito pelo Ministério da Previdência Social (MPS) mostra que mais de 85% dos estabelecimentos empresariais brasileiros estão na faixa bônus do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Ou seja, tiveram o índice FAP 2015, com vigência em 2016, menor que um. Isso significa que essas empresas investiram mais na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. A metodologia do FAP beneficia empresas que registraram menores números de acidentes e benefícios acidentários .
O FAP com vigência no ano que vem foi calculado por estabelecimento empresarial (CNPJ completo) – no caso de a empresa ser composta por mais de uma unidade – e não mais por CNPJ raiz. Mas, apesar da mudança, a forma de acesso continua a mesma: deve-se indicar,na página eletrônica da Previdência Social, o CNPJ raiz e a senha, que não sofreu nenhuma alteração.

Contestação

O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) 2015, com vigência no próximo ano, poderá ser contestado administrativamente de 9 de novembro a 8 de dezembro de 2015, exclusivamente por meio de formulário eletrônico dirigido ao Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional (DPSSO) do MPS. Serão analisadas apenas as contestações que contenham possíveis divergências de dados previdenciários que compõem o fator.
As decisões proferidas pelo DPSSO poderão, se for o caso, ainda ser julgadas, em grau de recurso, ou seja, em segundo e último grau administrativo pela Secretaria de Políticas de Previdência Social (SPPS) do MPS. A empresa terá o prazo de 30 dias, contados da data da publicação do resultado da análise do DPSSO no Diário Oficial da União (DOU), para encaminhar o recurso em segundo grau, também por meio de formulário eletrônico. Estes formulários ficam disponíveis nas páginas do MPS e da Receita Federal do Brasil
Portaria Interministerial no 432/2015, do Ministério da Previdência Social e do Ministério da Fazenda, publicada nesta quarta-feira (30) no DOU, traz todos os prazos relativos à contestação do FAP. Apenas a empresa diretamente envolvida terá acesso ao detalhamento dos dados, por meio das páginas eletrônicas da Previdência Social e da Receita Federal do Brasil.

Metodologia

Criado em 2010, com o objetivo de incentivar as empresas a investirem na melhoria das condições de trabalho e de saúde do trabalhador, o FAP é um multiplicador, que varia de 0,5 a 2 pontos, aplicado às alíquotas de 1%, 2% ou 3% do SAT incidentes sobre a folha de salários das empresas para custear aposentadorias especiais e benefícios decorrentes de acidentes de trabalho.
O FAP varia anualmente. É calculado sempre sobre os dois últimos anos de todo o histórico de acidentalidade da Previdência Social.
Pela metodologia do FAP, pagam mais os estabelecimentos que registrarem maior número de acidentes ou doenças ocupacionais. Por outro lado, o Fator Acidentário de Prevenção serve para bonificar os que registram acidentalidade menor. Quando não for registrado nenhum caso de acidente de trabalho, por exemplo, o estabelecimento pagará a metade da alíquota do Seguro Acidente de Trabalho (SAT).

Informações para a imprensa:
Talita Lorena
(61) 2021-5876
Ascom/MPS

fonte: Notícia colhida no sítio http://www.previdencia.gov.br/2015/09/saude-e-seguranca-indices-do-fap-com-vigencia-em-2016-estao-disponiveis-para-consulta/

FAP - Fator Acidentário de Prevenção

Decreto 6.042/2007 instituiu a aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção - FAP e do Nexo Técnico Epidemiológico, através da inclusão do artigo 202-A no Regulamento da Previdência Social.
O Fator Acidentário de Prevenção - FAP é um índice aplicado sobre a Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho - GIIL-RAT (devida pelos empregadores), que tanto pode resultar em aumento como diminuição da respectiva contribuição.
O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinquenta centésimos (0,50) a dois inteiros (2,00), desprezando-se as demais casas decimais, a ser aplicado à respectiva alíquota.
CONTESTAÇÃO
Através da Portaria Interministerial MPS/MF 584/2012, ficou determinado que o FAP – Fator Acidentário de Prevenção - atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social – MPS poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional – DPSSO da Secretaria Políticas de Previdência Social – SPPS do Ministério da Previdência Social – MPS, exclusivamente de forma eletrônica.

A contestação de dará por intermédio de formulário que será disponibilizado no site do Ministério da Previdência Social – MPS e da Receita Federal do Brasil – RFB. 

O que é: Fator Acidentário de Prevenção – FAP???

O Fator Acidentário de Prevenção – FAP, em vigência desde 2010, é um sistema bonus x malus, no qual a alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social.
O desempenho empresa á atribuído pelo resultado do FAP que varia de 0,5000 a 2,0000; e encontra-se disponível no sítio do Ministério da Previdência Social - MPS na Internet, juntamente com as respectivas ordens de frequência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a verificação, por parte da empresa, do seu desempenho dentro da sua Subclasse da CNAE, bem como documentos de apoio, nos quais constam a legislação correlata e respostas a dúvidas frequentes.
Se houver discordância quanto ao FAP, a empresa poderá contestá-lo de forma eletrônica, exclusivamente em sistema específico disponibilizado pelo MPS, perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional – DPSSO, da Secretaria Políticas de Previdência Social – SPPS do MPS, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial (Decreto nº 3.048/1999 art. 202-B).

Os procedimentos para contestação, assim como para desbloqueios de bonificação, quando houver, são estabelecidos por Portaria Conjunta publicada anualmente pelo Ministérios da Fazenda e da Previdência Social, quando da publicação do FAP.

Crise do Petróleo - Entende-a

A queda de 70% do preço do petróleo nos últimos meses reflete uma nova dinâmica, que combina esvaziamento do poder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), maior oferta da commodity por países que não eram tradicionalmente grandes produtores, demanda orientada pelo crescimento das economias emergentes e uma nova política, de maior alcance, acertada na Conferência do Clima (COP-21), realizada em Paris, em dezembro. Nesse contexto, as cotações deverão se recuperar em algum momento entre o fim deste ano e o início de 2017, mas os dias em que o barril foi negociado acima de US$ 100 não deverão voltar, diante desse novo cenário, preveem especialistas ouvidos pelo Valor.

A nova conjuntura deverá elevar, no curto e médio prazos, o risco de incertezas políticas e econômicas no Oriente Médio, da mesma forma que na Venezuela e na Rússia, também grandes exportadores, além de reduzir o ímpeto sobre a produção de fontes não convencionais no Canadá e nos EUA, o que pode reduzir investimentos industriais na maior economia do mundo e desacelerar a retomada americana. “Os benefícios de um petróleo mais barato deixam de ser evidentes, como em outros tempos. A China está em desaceleração. O petróleo em baixa não ajudará o planeta e exacerbará riscos em diversos países, da Venezuela ao Brasil, passando pelo Oriente Médio”, diz o diretor para o Brasil do Eurasia Group, João Augusto de Castro. “No atual ambiente, as empresas produtoras vão rever as prioridades de seu portfólio de projetos e preservar o caixa, o que deverá resultar em adiamento de novos projetos e perfuração mais lenta nos já existentes”, analisa Robin Mann, sócio da Deloitte Canadá e líder da Deloitte Resources Evaluation and Advisory.
Para o Brasil, o desafio será maior. Preços baixos dificultam o desenvolvimento de novos projetos para explorar a camada pré-sal. Os Estados produtores – Rio de Janeiro e Espírito Santo, principalmente – deverão pressionar por alterações nas alíquotas dos royalties que recebem, o que pode encarecer a produção no país. Com o caixa apertado, a União não tem como fazer o Tesouro destinar recursos à capitalização da Petrobras, em grave situação financeira. Estados e Municípios, sob os efeitos da desaceleração da economia e da queda de arrecadação, já mobilizam suas bancadas no Congresso pela mudança da regulação, aprovada pelo Congresso em 2010, que impôs a obrigatoriedade de a Petrobras ser operadora única dos campos concedidos no pré-sal e ter participação mínima de 30% em cada campo. As particularidades da crise interna dificultam a concretização da expectativa de que o país exporte 1,5 milhão de barris/dia a partir da metade da próxima década, o triplo do volume embarcado hoje.
A perda de poder da Opep
Em 27 de novembro de 2014, em reunião da Opep, a Arábia Saudita, maior produtora de petróleo do mundo, decidiu manter estável sua produção, mais interessada em preservar sua participação de mercado do que em influenciar a formação de preços. A decisão marcou uma mudança histórica no país, sempre considerado fiel da balança na produção.
“Ao manter a produção, os árabes decidiram impor perdas a novas ofertas de produto, para inviabilizar esse aumento de produção dos países fora da Opep, principalmente dos EUA e do Canadá”, diz Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e diretor da Faap.
“Há dez anos, quando o petróleo custava entre US$ 60 e US$ 70 o barril, a Arábia Saudita produzia 10,4 milhões de barris/dia e os EUA extraíam pouco mais de 700 mil barris/dia das jazidas de xisto.recursos não convencionais. Em 2014, a Arábia Saudita produzia 10,8 milhões de barris/dia, quase o mesmo volume de 2006, mas os EUA já produziam 7 milhões de barris/dia. Isso forçou a mudança de posição da Arábia Saudita”, afirma Kjetil Solbraekke, vice-presidente sênior para a América do Sul da Rystad Energy.
Em 2014, pela primeira vez desde 1975, a Arábia Saudita e a Rússia foram desbancadas da liderança mundial de produção de petróleo pelos EUA. A exploração das jazidas de xisto provocou forte impacto na economia americana e mudou a formação de preços no mercado mundial.
“Nos próximos cinco anos, dificilmente o petróleo será cotado acima de US$ 100 e poderá ser negociado na faixa dos US$ 30 até o fim do ano, por causa do efeito centrífugo na Opep, com o fim das sanções do Irã”, diz Alexandre Szklo, professor do Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).O Irã deixou de exportar 1,5 milhão de barris/dia nos últimos dois anos. Esse volume, que era principalmente comprado pela União Europeia, China e Índia, foi suprido por Iraque, Nigéria, Arábia Saudita e Rússia. “Todos precisam de receita e querem manter seu mercado diante do aumento de produção dos EUA.”
EUA, reguladores da oferta
Enquanto o Brasil discutia no Congresso o sistema de partilha para exploração do pré-sal, uma revolução silenciosa se espalhava pelos EUA. Em 2008, centenas de empresas começavam a explorar a alternativa de perfuração de rochas de xisto, por fraturamento hidráulico, para a obtenção de petróleo e gás.
O acesso aos hidrocarbonetos em formações rochosas fez a produção de petróleo americana saltar de 5 milhões de barris/dia em 2008 para mais de 12 milhões de barris/ dia seis anos depois. Com isso, os americanos passaram a ser reguladores da oferta.
Em 2007, antes do início da crise econômica mundial, os EUA registravam déficit em contas correntes de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo metade resultante de importações de petróleo. Sete anos depois, a história mudou: as importações representam apenas 1% do PIB dos EUA, cuja produção interna atende a 90% da demanda de energia.
A exploração de gás não convencional permitiu a recuperação da indústria petroquímica americana, beneficiada pelo custo de US$ 4 por milhão de BTUs (no Brasil, está em US$ 13). Em junho, o Conselho Americano de Química previa que 238 projetos, com US$ 145 bilhões em investimentos, poderão sair do papel nos próximos anos nos EUA. A dúvida agora é sobre o impacto do cenário atual.
André Olinto, diretor-executivo de “upstream” da Accenture Energy para o Brasil e o Cone Sul, diz que o uso de sondas de perfuração de jazidas de xisto caiu 66% nos últimos meses nos EUA, e a produção de recursos não convencionais recuou 5%. “Novos projetos estão em compasso de espera, e a produção pode cair mais, mas uma reativação de um projeto pode levar sete meses, bem mais rápida que um campo de petróleo.”
Cotação e economia global
Havia uma crença entre economistas de que, quando a cotação do barril de petróleo caía, abria-se um contexto favorável à economia mundial, uma vez que as pressões inflacionárias sobre os países importadores seriam menores, os consumidores teriam mais dinheiro no bolso e as empresas ganhariam mais disposição para investir. Isso ocorria quando o preço do barril caía entre 10% e 20%, mas não em um cenário em que a redução é de 70%, escreveu o economista Paul Krugman, em seu blog no “New York Times”.
Para Krugman, a queda atual poderá ser negativa para a economia global, em um momento em que os EUA e o Canadá se tornaram grandes produtores. Com a indústria de recursos não convencionais, como o gás de xisto nos EUA, atrelada aos preços do petróleo, o declínio pode suspender investimentos privados na área de energia e na indústria. A cadeia têxtil começou a voltar para os EUA pelo custo de energia quatro vezes mais competitivo do que o da Índia.
“Um recuo de 70% tem efeitos drásticos sobre os produtores, que passam a sofrer mais com escassez de liquidez do que os consumidores. A Arábia Saudita é forçada a tomar medidas de austeridade, enquanto empresas de exploração de recursos não convencionais muito endividadas enfrentam problemas de balanço”, escreveu Krugman.
Relatório da CreditSights, companhia americana especializada em análise de dívida corporativa, indica que, entre 2015 e 2017, quase a metade das empresas americanas do setor de óleo e gás poderão falir. Cerca de US$ 155 bilhões em obrigações financeiras de empresas da cadeia do petróleo vencem em três anos, segundo a consultoria. “As empresas estarão pressionadas para ajustar suas operações, o que pode levar a falências e a redução de tamanho, seja nos EUA, Canadá, Oriente Médio ou Brasil”, prevê Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da UFRJ.
A China, uma incógnita
A maior produção interna dos EUA combinou-se com o ingresso da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001. De 2004 a 2013, o país asiático tornou-se o maior importador de petróleo do mundo, respondendo por 45% da demanda global, segundo cálculos de Daniel Yergin, diretor da Cambridge Energy Research Associates. Hoje, os chineses respondem por cerca de 15% do consumo mundial anual de petróleo. A matriz energética chinesa é baseada em carvão, transportado por ferrovias, que usam muito diesel, e o país ainda tem grande demanda de petroquímicos.
Mas o apetite chinês caiu nos últimos meses. Depois de mais de uma década com expansão superior a dois dígitos, a China deve crescer menos de 7% neste ano. “O foco da demanda estará na Ásia nos próximos anos, mas a sobredemanda da China se esgotou”, afirma Luiz Pinguelli Rosa, diretor de relações institucionais da Cordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Apesar da retração, o interesse chinês em ter acesso a grandes reservas de petróleo no médio e longo prazos tem feito as empresas estatais investirem em diversos países, como o Brasil. Em outubro de 2013, o governo brasileiro realizou a primeira rodada de licitação do pré-sal, com poços do megacampo de Libra, na Bacia de Santos. As estatais chinesas CNPC e CNOOC, a Shell e a francesa Total foram vencedoras da licitação com a Petrobras, que detém 40% do consórcio.
“A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda total de energia da China será o dobro da americana em 2040, mas ainda é preciso avaliar as mudanças de política doméstica e como o país fará a transição da economia para um modelo menos intensivo em energia”, diz John England, sócio-líder de Óleo e Gás da Deloite US e líder do Deloitte Center for Energy Solutions.
Os olhares chineses se estendem ao setor de gás no Brasil também. No primeiro processo de desinvestimento aprovado pela Petrobras no fim do ano passado, a venda de 49% de participação na Gaspetro, cujas distribuidoras comercializaram 33,2 milhões de metros cúbicos por dia no ano passado, o equivalente a 53% do mercado de distribuição de gás natural do país, duas empresas apresentaram propostas para a oferta final: a chinesa Beijing Gas e a japonesa Mitsui. A Mitsui foi a vencedora, mas os chineses estão observando o mercado nacional. “Os chineses estão interessados em participar do mercado de gás, que deve ter um forte crescimento com a exploração do pré-sal, onde eles integram o consórcio vencedor do campo de Libra, ofertado em 2013”, diz um executivo da área.
Consolidação deve avançar
Quando o preço do petróleo cai, o movimento de fusões e aquisições na cadeia de óleo e gás cresce. No fim dos anos 90, quando o barril custava cerca de US$ 10, uma série de operações foi anunciada: a Exxon se uniu à Mobil; Total, Elf e Petrofina juntaram forças e Chevron e Texaco se fundiram em 2000. É possível que o cenário se repita com vigor nos próximos meses. Um primeiro passo nessa direção foi divulgado no ano passado, quando Shell e BG anunciaram a fusão de suas operações, com destaque para as sinergias das duas empresas no Brasil, onde detêm operações na camada pré-sal.
“O cenário pode se repetir com esse preço baixo e a pressão será maior ainda na cadeia de fornecimento, por causa da redução dos planos de investimento das operadoras”, afirma José de Sá, sócio da Bain & Co.
No Brasil, o quadro para os fornecedores é ainda mais delicado. Primeiro, a Petrobras tem reduzido seu plano de investimentos. O mais recente, divulgado neste mês, aponta investimentos de US$ 98,4 bilhões entre 2015 e 2019, com redução de 24,5% em relação à meta anterior. Segundo, grandes construtoras são investigadas na Operação Lava-Jato. Terceiro, estaleiros, fabricantes de sondas e de bens de capital, como Iesa, Lupatech, Sete Brasil, EAS, estão com caixa apertado ou em processo de recuperação judicial.
Novo patamar de preços?
Há uma pergunta de US$ 1 bilhão no mercado: até quando esse patamar de preços baixos se manterá? No momento, o setor opera com excesso de um milhão de barris diários no balanço entre oferta e demanda – e o Irã poderá elevar a produção em 300 mil barris diários no fim do primeiro trimestre. “Pode ser que haja uma recuperação para o patamar dos US$ 50 a US$ 60 no fim do ano ou início de 2017, mas o desafio de reduzir o excesso de oferta é grande, com a desaceleração da China e o impacto que os preços baixos poderão ter sobre empresas. Os bancos já se preocupam com os efeitos da situação, observa Lavinia Rocha de Hollanda, coordenadora de pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Energia. Menor geração de caixa das empresas pode elevar o endividamento, o que impediria que saldassem seus compromissos financeiros.
Para Kjetil Solbraekke, da Rystad Energy, o preço deve retomar força no fim do ano. No entanto, ele pondera, a recuperação das cotações poderá ser postergada por uma eventual nova desaceleração da economia chinesa, possibilidade que não se deve afastar em meio às muitas incertezas que subsistem.
Na visão de Carlos Assis, líder de energia da E&Y, em algum momento o mercado deverá restabelecer os preços em um patamar que torne viáveis os projetos de ampliação da capacidade. Entre os anos de 2000 e 2014, a participação de óleo e gás na matriz energética mundial caiu de 61% para 57%, com a ampliação da presença das fontes renováveis.
“No entanto, vai demorar muito para a matriz mundial deixar de ser abastecida por combustíveis fósseis. Antes da crise, projetava-se que a indústria receberia US$ 20 trilhões em investimentos até 2035. O preço terá que se reequilibrar.”
Oriente Médio mais instável
A queda do preço do petróleo deverá trazer mais instabilidade à região que reúne 30% da produção mundial da commodity. O governo saudita deve reduzir em 20% seu orçamento neste ano e já cogita a abertura de capital da estatal Aramco, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo. “O risco político e econômico cresce no Oriente Médio e no mundo, em países como Venezuela, Brasil e Rússia”, afirma o diretor para o Brasil do Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves.
A queda do preço do petróleo cria dificuldades de investimentos públicos de grandes produtores, reduz o caixa das empresas de energia e pode elevar o desemprego na indústria. Essa combinação poderá trazer mais volatilidade ao mercado de petróleo e pressões de curto prazo sobre o preço da commodity.
“O Oriente Médio continuará sendo um barril de pólvora e novas instabilidades podem surgir, o que pode retirar do mercado, de um momento para outro, um ou dois milhões de barris/dia, o que elevaria o preço no curto prazo”, afirma o professor Edmar de Almeida, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Acordo sobre clima
A reunião sobre o clima, realizada em Paris em dezembro, reforça uma nova realidade para o setor: o petróleo perderá sua relevância, gradualmente, ao longo das próximas décadas, com investidores e governos analisando investimentos em fontes renováveis.
Os 195 países representados na Conferência do Clima chegaram a um acordo, que valerá a partir de 2020, pelo qual se obrigam a participar do controle dos efeitos das mudanças climáticas. O objetivo de longo prazo do acordo é manter o aquecimento global abaixo de 2º C. O acordo faz referência a esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5º C.
Em paralelo, crescerá a pressão sobre as empresas. Após o encontro, fundos de pensão dos EUA, como o New York State Common Retirement e o de aposentados da Universidade da Califórnia, começaram a exigir das petroleiras nas quais investem informações sobre o que fazem para se preparar para a economia de baixo carbono.
Neste mês, aqueles fundos requisitaram à Exxon Mobil, na qual têm mais de US$ 1 bilhão investidos, relatórios sobre o impacto que as políticas de contenção do aquecimento global terão sobre os ativos da petroleira. “Isso deve ter uma evolução lenta, mas o clima é uma variável essencial para se compreender o novo contexto do petróleo que vivemos”, diz Lavinia Rocha de Hollanda, da FGV Energia.
Renováveis ganharão espaço
Além de indicar um futuro em que os combustíveis fósseis perdem gradualmente importância, o acordo de Paris deve mudar uma regra usual no setor de petróleo: quando a cotação do barril disparava, investimentos em energias renováveis eram acelerados; quando o preço caía, os incentivos eram reduzidos. “O petróleo funcionou por décadas como preço diretor das fontes de energia, mas agora podemos assistir ao início do fim dessa era”, diz Helder Queiroz, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Hoje, essas fontes respondem por 3% da matriz energética mundial, mas com tendência de expansão. Para Queiroz, a velocidade de penetração de novas tecnologias, como o carro elétrico e a energia solar, dependerá da criação de políticas públicas de incentivo para essas fontes.
No Brasil, o acordo deverá reforçar investimentos em energias alternativas, como eólica e solar. Em 2024, a energia hidrelétrica responderá por 58% da matriz energética do país, distribuindo-se o restante entre eólica (11%), solar (3%) e térmica (14%), segundo estimativas preliminares da Empresa de Pesquisas Energéticas.
O desafio do Brasil será destravar um novo ciclo de investimentos no setor sucroalcooleiro, atingido pelo alto endividamento e pela política de controle dos preços dos derivados de petróleo, vigente entre 2009 e 2013. Mais de 60 usinas de açúcar e álcool fecharam as portas nos últimos quatro anos, e o país teve que importar etanol de milho dos EUA, em alguns momentos. “O mercado mundial de biocombustíveis também não decolou, o que reduziu o incentivo aos produtores nacionais”, diz Daniel Rocha, diretor-executivo da Accenture Strategy e líder da indústria de energia.
Fim do petróleo está longe?
Salvo alguma revolução tecnológica de grande impacto, o petróleo continuará liderando a matriz de energia mundial, pelo menos nos próximos 20 anos. As economias emergentes, principais motores da demanda, são altamente dependentes de combustíveis fósseis. No Brasil, que responde por 3% do consumo de derivados no mundo, metade da demanda energética se origina do setor de transportes, com as rodovias respondendo por 60% da circulação de mercadorias.
Mesmo nos países desenvolvidos, a fatia dos combustíveis fósseis ainda é elevada. Nos EUA, que elevaram sua produção com a exploração do xisto e reduziram as importações, o preço dos combustíveis vendidos no mercado interno caiu. “Resultado: a venda de carros utilitários que consomem diesel respondeu, em 2015, po 58% do mercado de veículos, acima dos 50% verificados entre 2009 e 2012. E o número de milhas percorridas pelos americanos cresceu 3,5% no ano passado”, observa Ricupero.
A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que, em 2035, o petróleo, o gás natural e o carvão fornecerão 75% da energia consumida no mundo.
Mais desafios para o Brasil
Previa-se que, na metade da próxima década, o Brasil poderia exportar 1,5 milhão de barris/dia, o triplo do patamar atual, tornando-se um dos dez maiores produtores e exportadores do mundo e resolvendo dois problemas históricos da economia: energia e balanço de pagamentos. “O crescimento da curva de produção deve ser visto com cautela. Novos projetos terão dificuldade de implementação”, afirma Olinto, da Accenture Energy.-
Para Szklo, da Coppe/UFRJ, o país deve exportar entre 800 mil barris/dia e um milhão de barris/dia, e não 1,5 milhão, antes previstos, principalmente por efeito da alta produtividade de alguns campos do pré-sal, como o de Libra. Hoje, são exportados 500 mil barris/dia. Com os projetos de novas refinarias paralisados e as ampliações em atraso, a capacidade de refino deve ficar praticamente estagnada, aumentando apenas cerca de 10%, para 2,3 milhões de barris/dia processados. Enquanto isso, a produção de petróleo deverá chegar a 3 milhões de barris/dia, o que faz com que a fatia da exportação possa crescer.
Enquanto a taxa de declínio de produção dos poços da Bacia de Campos está em 15%, o pré-sal já responde por quase 900 mil barris diários, quase 40% da produção nacional.
Os preços baixos devem atrasar novos projetos. Nas simulações da Coppe/UFRJ, a viabilidade do campo de Libra está em US$ 30, enquanto o de Júpiter é inviável a US$ 40. “O pré-sal não é heterogêneo. Há campos que são bilhetes premiados, outros nem tanto e alguns são armadilhas. Quanto mais tempo o preço ficar baixo, mais os projetos podem atrasar”, afirma Szklo.
O preço do petróleo em baixa reduz a geração de caixa da Petrobras, que enfrenta alto endividamento (no terceiro trimestre, a relação entre endividamento líquido e geração de caixa ajustada chegou a 5,2 vezes, bem acima do ideal, que seria três vezes). Em um dos cenários com que trabalha, Daniel Rocha, diretor-executivo da Accenture Strategy, prevê que a Petrobras pode chegar ao início de 2017 com um déficit de US$ 20 bilhões em caixa, em uma simulação com o preço do petróleo a US$ 50. Isso exigiria uma capitalização de R$ 100 bilhões, com exigência de participação da União, controladora, em um momento de dificuldades do Tesouro.
Abertura no mercado nacional
Para reduzir a dívida, a Petrobras pretende se desfazer de US$ 57 bilhões de ativos, entre campos de petróleo, participações em térmicas, em gasodutos e na petroquímica Braskem. “Isso pode representar uma nova abertura do setor de petróleo, depois da lei 9.478, de agosto de 1997, que quebrou o monopólio da Petrobras no setor, mas atrair investidores dependerá da mudança de regras. A concorrência é grande. O México tornou-se um importante polo de atração de investimentos depois que abriu a exploração e a produção de petróleo à iniciativa privada. Nos EUA, as possibilidades trazidas pelo xisto também estimularam o interesse por investimentos, diz Castro Neves, do Eurasia Group.
Sancionada pelo Congresso em 2010, quando o barril era negociado a US$ 100, a regulação vigente estipula que, nos campos a serem ofertados no pré-sal, a Petrobras seja operadora única e detenha participação mínima de 30% nos blocos. “A mudança será feita por necessidade e não por convicção”, observa Castro Neves. Em sua visão, governadores e prefeitos de cidades dependentes de royalties vão defender alterações na legislação, sob uma matemática simples: mais empresas investindo no pré-sal, mais produção, mais dinheiro na economia, mais royalties para o caixa.
O petróleo em baixa deve reduzir a pressão sobre as contas externas. Nos cálculos do economista Fabio Silveira, da GO Associados, o déficit do setor, que inclui as importações de gás, deve cair para US$ 7,5 bilhões em 2016, depois de ter chegado a US$ 11,2 bilhões. “A estagnação da produção nacional de óleo e derivados impedirá uma redução ainda maior”, observa. O impacto nas contas externas já foi muito maior: em 1981, as importações de petróleo respondiam por metade das compras externas brasileiras.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Em diálogos gravados, Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato

Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.
Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).
O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente "jamais pensaria em fazer qualquer interferência" na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.
Machado passou a procurar líderes do PMDB porque temia que as apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, onde tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR).
Em um dos trechos, Machado disse a Jucá: "O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. [...] Ele acha que eu sou o caixa de vocês".
Na visão de Machado, o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB.
Machado fez uma ameaça velada e pediu que fosse montada uma "estrutura" para protegê-lo: "Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu 'desça'? Se eu 'descer'...".
Mais adiante, ele voltou a dizer: "Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída".
Machado disse que novas delações na Lava Jato não deixariam "pedra sobre pedra". Jucá concordou que o caso de Machado "não pode ficar na mão desse [Moro]".
O atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro. "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", diz Jucá, um dos articuladores do impeachment de Dilma. Machado respondeu que era necessária "uma coisa política e rápida".
"Eu acho que a gente precisa articular uma ação política", concordou Jucá, que orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).
Machado quis saber se não poderia ser feita reunião conjunta. "Não pode", disse Jucá, acrescentando que a ideia poderia ser mal interpretada.
O atual ministro concordou que o envio do processo para o juiz Moro não seria uma boa opção. "Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade."
E chamou Moro de "uma 'Torre de Londres'", em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá "para o cara confessar".
Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo". Machado disse: "aí parava tudo". "É. Delimitava onde está, pronto", respondeu Jucá, a respeito das investigações.
O senador relatou ainda que havia mantido conversas com "ministros do Supremo", os quais não nominou. Na versão de Jucá ao aliado, eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato.
Jucá afirmou que tem "poucos caras ali [no STF]" ao quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de "um cara fechado".
Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por mais de dez anos (2003-2014), e foi indicado "pelo PMDB nacional", como admitiu em depoimento à Polícia Federal. No STF, é alvo de inquérito ao lado de Renan Calheiros.
Dois delatores relacionaram Machado a um esquema de pagamentos que teria Renan "remotamente, como destinatário" dos valores, segundo a PF. Um dos colaboradores, Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil das mãos de Machado.
Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que o peemedebista o procurou para ajudar na campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima, e que por isso doou R$ 1,5 milhão.
O valor foi considerado contrapartida à obtenção da obra de Angra 3. Jucá diz que os repasses foram legais.
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LEIA TRECHOS DOS DIÁLOGOS

Data das conversas não foi especificada
SÉRGIO MACHADO - Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
ROMERO JUCÁ - Eu ontem fui muito claro. [...] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO - Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ - Sim.
MACHADO - Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ - Eu acho que...
MACHADO - Tem que ter um impeachment.
JUCÁ - Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO - E quem segurar, segura.
JUCÁ - Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO - Odebrecht vai fazer.
JUCÁ - Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO - Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
[...]
JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[...]
MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.
MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.
[...]
MACHADO - O Renan [Calheiros] é totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ - Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.
*
MACHADO - A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado...
JUCÁ - Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...
MACHADO - Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.
JUCÁ - Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].
MACHADO - Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?
JUCÁ - Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.
[...]
MACHADO - O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.
JUCÁ - Todos, porra. E vão pegando e vão...
MACHADO - [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.
JUCÁ - Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.
MACHADO - Porque se a gente não tiver saída... Porque não tem muito tempo.
JUCÁ - Não, o tempo é emergencial.
MACHADO - É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.
JUCÁ - Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? [...] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.
MACHADO - Acha que não pode ter reunião a três?
JUCÁ - Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é... Depois a gente conversa os três sem você.
MACHADO - Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.
*
MACHADO - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...
JUCÁ - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.
MACHADO - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...
JUCÁ - É, a gente viveu tudo.
*
JUCÁ - [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO - Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]
JUCÁ - Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento...
MACHADO -...E burro [...] Tem que ter uma paz, um...
JUCÁ - Eu acho que tem que ter um pacto.
[...]
MACHADO - Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.
JUCÁ - Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara... Burocrata da... Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça]. 


fonte: RUBENS VALENTE (DE BRASÍLIA)

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