domingo, 24 de novembro de 2013

Empregos de petróleo e gás têm salários de R$ 68 mil em Santos

Por conta do pré-sal, especialistas acreditam que região irá crescer.
Empresa de recrutamento diz que salários serão de R$ 5 a R$ 70 mil.

A Baixada Santista está ganhando novas oportunidades de emprego no setor de petróleo e gás. Algumas dessas vagas chegam a oferecer remunerações que ultrapassam os R$ 20 mil. Além das companhias relacionadas ao assunto que estão criando sedes na região, as empresas de recrutamento já consideram a Baixada como uma porta de entrada para profissionais deste mercado por conta do pré-sal da Bacia de Santos.
Márcia Chiadegatti, da Robert Half, empresa de recrutamento com mais de 300 escritórios pelo mundo, é responsável pelas operações na Baixada Santista e no ABC Paulista. Ela acredita que a região ainda tem muito para crescer. “Acredito que o mercado é maior que está hoje. A gente percebe um movimento mais tímido de empresas que vem para Santos e elas estão começando a contratar profissionais mais técnicos”, diz.

Há muitas oportunidades para profissionais mais especializados como gerentes de manutenção e diretores. O salário depende do nível de conhecimento e de responsabilidade dentro da empresa. Segundo ela, um gerente geral do setor de petróleo e gás, responsável por uma operação como um todo, pode ganhar em tornou de R$ 35 mil. Após dez anos na empresa, o salário chega a R$ 68 mil em grandes companhias. Diretores comerciais, que estão começando na empresa, podem ter a remuneração de até R$ 27 mil. Outros profissionais como engenheiros e coordenadores contábeis precisam ser graduados, além de já terem experiência de cerca de 3 a 4 anos na área e um bom nível de inglês. Para esses profissionais, o salário inicial gira em torno de R$ 5 mil. De acordo com a Chiadegatti, o inglês é muito importante no setor de petróleo e gás. “Grandes empresas precisam fazer negócios com essas pessoas, ou então ela faz parte de um grupo de fora do país e precisa reportar as informações da empresa”, explica.

Chiadegatti conta que o mercado de petróleo e gás ainda é muito novo no Brasil e em Santos e por isso, é necessário trazer profissionais do Rio de Janeiro e de outros países. Segundo ela, isso é uma das reclamações das empresas que estão se instalando na Baixada Santista e que acabam aumentando salários para trazer os profissionais qualificados para a região. “Há grande dificuldade de encontrar profissionais que não inflacionem o mercado. Senão entra em um ciclo e as empresas não têm condições de remunerar”, diz.

O professor do curso de Engenharia de Petróleo e Gás, Áureo Emanuel Pasqualeto Figueiredo explica que os salários são elevados porque a indústria de petróleo segue padrões internacionais. Tudo é cotado em dólar. Para ele, a remuneração vai de acordo com as exigências do mercado. “Precisa saber inglês, ter noções de qualidade, noções de logística, além do conhecimento técnico específico. Essas pessoas podem estar trabalhando hoje aqui e amanhã em outro lugar do mundo”, diz.
Professor acredita que é preciso qualificar pessoas na região (Foto: Mariane Rossi/G1)Professor acredita que é preciso qualificar pessoas
na região (Foto: Mariane Rossi/G1)
O especialista diz que o mercado de petróleo na Baixada Santista é antigo por conta do refino e distribuição de derivados da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, que existe há mais de 50 anos. Ele fala que, agora, o foco é a exploração e a produção do petróleo. “A colocação de pessoas contempla um efeito multiplicativo, desde as profissões técnicas e toda a cadeia de serviços, como área de saúde e hotelaria", diz.
Figueiredo explica que a engenharia subsea, especialidade da engenharia de petróleo e gás em que é preciso saber toda a complexidade de situação para explorar o petróleo que esta a 2 mil metros abaixo da terra, saber sobre pressão atmosférica, condições das correntes do mar e temperatura, é uma das áreas em que se procuram mais profissionais no mundo. “Tem poucas pessoas especializadas nisso. Temos que começar a nos preparar. Tem coisas que só ao longo do tempo as pessoas vão aprender. Se os brasileiros não ocuparem o espaço eles vão trazer gente da Indonésia, de outros lugares", fala. Ele diz que o primeiro passo para concorrer a essas vagas é ser graduado e se qualificar na área.

Porém, o especialista afirma que é preciso cautela por parte do mercado para que não haja uma grande quantidade de profissionais do mesmo setor. Uma recente pesquisa feita pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo mostrou que 49% dos alunos matriculados em 2010, no ensino a distância, optaram por cursos no setor de petróleo e gás. Ele dá o exemplo da Bacia de Campos. “Milhares de pessoas foram para lá e criou-se um cinturão de pobreza em volta da cidade. As pessoas não tinham qualificação. Se o cara nem consegue entender a ordem que está sendo dada a ele, porque é em outra língua, ele não vai ser colocado em um lugar que ele pode até morrer”, explica.

Para ele, a vinda de estrangeiros é imprescindível. “Não vamos ter a pretensão de que tudo vai ser ocupado por brasileiros. Vai precisar vir pessoas com conhecimentos que acabarão passando informações para os nossos profissionais. Assim como quando implantaram a refinaria, vieram técnicos estrangeiros. Hoje nós temos uma engenharia de excelência nessa área”, diz ele. Figueiredo explica que é importante empregar profissionais brasileiros, de várias áreas, para que possam fazer essa indústria do petróleo e gás crescer e que o núcleo de riqueza retorne para o próprio país.

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EVENTO - SEGURANÇA DO TRABALHO


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Gás natural: benefícios chegam ao comércio e às residências da capital mineira

A cada dia, mais estabelecimentos comerciais de Belo Horizonte abraçam os benefícios do gás natural. A novidade já conquistou 37 consumidores e, de acordo com o engenheiro da área comercial da Gasmig, Flávio Ramos, o mercado urbano pode crescer ainda mais com a consolidação do projeto Anel Sul, principalmente com a sua ampliação para outros bairros da região, como Sion, Belvedere, Buritis e Vila da Serra.
Entre os novos clientes, está o Pizzarella, restaurante estabelecido há 41 anos no bairro Santo Agostinho. O gás natural está sendo utilizado na cozinha e nos fornos de pizza. O sócio-proprietário e gerente do estabelecimento, Nelson Soares Nogueira Júnior, afi rma que a economia e a segurança foram fatores determinantes para a escolha pelo energético. “Pelas contas iniciais, o preço será melhor. Além disso, tem a diminuição do risco de explosão, porque é um gás mais leve que o ar e se dissipa se houver vazamento, diferentemente do GLP. O energético utilizado anteriormente também deixava grande quantidade de resíduos nos fogões e nas panelas”, comenta.
Avanço na popularidade
O aumento no número de clientes desse segmento está popularizando o uso do gás natural na capital mineira, como já ocorre em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras partes do mundo. “Não temos essa cultura por aqui, é algo novo no mercado, estamos acostumados a comprar gás no cilindro”, conta o proprietário da Academia Samurais, presente no bairro Santo Agostinho há 50 anos, Marco Antônio Braga, outro novo cliente da Gasmig. 
De acordo com ele, a possibilidade de receber o gás encanado e contínuo, com a medição no próprio local, é muito conveniente. “Eu já tinha pensado em usar o gás natural e é muito bom saber que vou contar com essa comodidade”, afi rma Marco Antônio. Com a chegada do gás natural, o aquecimento de duas saunas e da água de seis chuveiros será feito pelo energético. “Espero baixar o custo e garantir pressão normal no fornecimento, algo que não acontece atualmente, uma vez que o GLP, na fase fi nal do cilindro, não fornece a pressão necessária à caldeira”, complementa.
Com o início da operação nos primeiros clientes comerciais, a expectativa é de que mais comerciantes se sintam seguros em fazer a opção pelo gás natural, alavancando o crescimento das vendas para o segmento. “Desde que iniciamos o trabalho de captação no bairro Santo Agostinho, o grande desafi o tem sido conquistar a confiança do mercado em um produto novo e pouco conhecido do público mineiro, mas as perspectivas são as melhores, já que ele vem sendo muito bem-aceito, seja nas residências ou nos estabelecimentos”, analisa o especialista da Gasmig, Leonardo Maia.  
Divulgação
Para alavancar a expansão do gás natural entre os estabelecimentos comerciais e residenciais na região Centro-Sul de Belo Horizonte, a Gasmig vem investindo em diferentes formas de divulgação, de modo a tornar o produto mais próximo dos belo-horizontinos. A campanha tem o objetivo de informar a disponibilidade do energético nos bairros Santo Agostinho e Lourdes, focando em seus principais atributos: praticidade, economia e sustentabilidade. Entre as ações desenvolvidas, destaque para embalagens da Gasmig em pizzarias e padarias, displays de mesa e anúncios em TVs corporativas nos bares, restaurantes, farmácias, salões de beleza, elevadores e adesivos em espelhos de academias de ginástica.
Ampliação dos negócios

O segmento do mercado comercial urbano também apresentou avanços na captação de clientes fora da região do Anel Sul. Exemplo disso foi o contrato celebrado entre a Gasmig e o Ramada Encore Minascasa, hotel localizado no Vetor Norte de Belo Horizonte, importante polo de investimentos do Estado. O empreendimento será inaugurado em fevereiro de 2014, com foco no atendimento às demandas da Copa do Mundo, e já iniciará suas operações com a utilização do gás natural.

fonte: Gasmig

sábado, 19 de outubro de 2013

Veja críticas e argumentos contra o primeiro leilão do pré-sal

O primeiro leilão do pré-sal brasileiro, do campo de Libra, tem sido alvo de críticas de diversos setores da sociedade. Até a noite de sexta-feira (18), 19 ações judiciais foram propostas em todo o Brasil, das quais sete já tinham sido negadas pela Justiça.
As críticas abrangem desde pontos específicos do edital, a falta de estudos mais abrangentes, até a própria validade da realização de um leilão.
Veja abaixo algumas críticas e argumentos contrários ao leilão.
Governo pode deixar de arrecadar até R$ 331,3 bilhões
O governo brasileiro pode deixar de arrecadar até R$ 331,3 bilhões em 35 anos com o leilão do pré-sal, afirma Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras no governo Lula e atual professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP. O valor da perda foi calculado pela aluna de doutorado Larissa Araújo Rodrigues.
O cálculo considera royalties de 15%; imposto de renda de 34% sobre o lucro; bônus de assinatura de R$ 15 bilhões, conforme determinado em edital; preço do barril de petróleo a US$ 160; e dólar a R$ 2,20.
Em outros cenários, com o preço do petróleo mais alto ou mais baixo que o estipulado, as perdas do governo variam. Com o barril a US$ 60, o governo deixaria de arrecadar R$ 176,8 bilhões; se o barril valer US$ 105, as perdas do governo são de R$ 222,3 bilhões.
Brasil não vai controlar ritmo da produção do petróleo 
Um dos argumentos de quem é contra o leilão é de que ele fere o "interesse nacional", porque, com o modelo adotado pelo edital, faz com que o Brasil renuncie ao controle do ritmo de produção de petróleo para atender à demanda dos países consumidores.
"Eu sou contra a realização do leilão já por causa deste ponto", afirmou o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer. Junto com o advogado Fábio Konder Comparato, ele protocolou uma das ações contra a realização dos leilões que foi indeferida pela Justiça.
"Estrategicamente, o Brasil deveria se alinhar à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e à Rússia, que são os grandes produtores de petróleo. Juntos, eles conseguem manter o preço do barril em cerca de US$ 100. A China está preocupada em garantir o abastecimento de petróleo para alimentar o seu crescimento econômico e, para ela, interessa um preço mais baixo", argumentou.
Três das onze empresas que vão participar do leilão são chinesas.
União pode receber menos que o mínimo determinado em Lei
No que diz respeito à legislação brasileira, são atacados alguns pontos do edital para o leilão do pré-sal, com base na lei da partilha (Lei nº 12.351/2010).
O edital prevê que os valores ofertados pelas empresas deverão ser compostos exclusivamente pelo percentual de Excedente em Óleo para a União. Vence o leilão a empresa que apresentar o melhor retorno para o governo.
Pela lei da partilha, é preciso determinar um percentual mínimo para este excedente, chamado óleo-lucro, que foi definido em 41,65%. Na tabela 10 do edital, no entanto, o governo flexibiliza esta proporção, condicionando-a ao preço do barril e à produtividade dos poços.
Assim, no pior cenário possível, se o preço do petróleo chegar a menos de US$ 60,01 e a produção diária dos poços for de menos de 4.000 barris, o excedente em óleo para a União seria de apenas 9,93%.
No melhor cenário, que considera o petróleo a US$ 160 e a produção média acima de 24 mil barris por dia, o percentual mínimo seria de 45,56%.
Petrobras já assumiu todos os riscos e custos da descoberta
De acordo com o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer, o modelo do leilão de pré-sal não poderia ser a partilha da exploração, porque a lei determina que, nestes casos, o risco da descoberta do petróleo deve ser da empresa contratada.
Só que, no caso do pré-sal, a Petrobras já descobriu o petróleo na região, então a exploração já está garantida.
Além disso, o edital da ANP não prevê a devolução dos custos de descoberta. "Foi a Petrobras que perfurou o poço e fez os estudos iniciais", disse Sauer. Ele estima que os custos rondem US$ 100 milhões, "e sua devolução pela empresa que vencer o leilão não está prevista no edital", afirmou.
Melhor campo está sendo usado para 'teste'
O Tribunal de Contas da União também fez críticas em relação ao modelo adotado para licitar áreas no pré-sal. Segundo o ministro José Jorge, que foi relator do parecer do TCU, os estudos que basearam o edital são frágeis e não há um plano para os próximos campos que serão licitados.
José Jorge chamou a atenção para o fato de o campo de Libra, que é o maior do pré-sal, ser o primeiro a ser leiloado. "Estão usando o melhor campo descoberto até agora para fazer um teste", disse.


Luiza Calegari. Do UOL, em São Paulo 18/10/2013. 21h28

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Veja as principais regras do leilão e contrato de Libra.

RIO DE JANEIRO - O governo separou a maior descoberta de petróleo já realizada no Brasil para leiloar na segunda-feira, em regime que garante à União a gestão das reservas.

A primeira rodada de licitações do pré-sal licitará Libra, uma área com volume de 8 bilhões a 12 bilhões de barris recuperáveis de óleo na bacia de Santos.

Veja a seguir as principais regras para a licitação e o contrato de Libra:

REGIME DE PARTILHA - Para regiões consideradas estratégicas como a do pré-sal de Santos, o atual regime de concessão foi substituído pelo modelo de partilha da produção, pelo qual as empresas se comprometem a compartilhar com a União uma parcela no volume de óleo produzido no campo.

ESTATAIS NA GESTÃO - Seja qual for a empresa ou consórcio vencedor da área de Libra, terá de se aliar à Petrobras e à Pré-Sal Petróleo SA (PPSA), estatal criada para representar a União na gestão das áreas da partilha.

PETROBRAS OPERADORA - A Petrobras será operadora da área de Libra com no mínimo de 30 por cento de participação no consórcio que ficar com a área.

DISPUTA - As empresas ou consórcios interessados no primeiro leilão do modelo de partilha disputarão os 70 por cento restantes da participação de Libra segundo o critério da oferta de maior excedente em óleo para a União. Quem oferecer a maior parcela de óleo à União, descontados os custos para viabilizar a produção, ganhará a licitação.

ROYALTIES - Os royalties serão pagos no montante correspondente a 15 por cento do volume total da produção de petróleo e gás.

PISO DO LEILÃO - As ofertas dos concorrentes ao bloco de Libra deverão respeitar o percentual mínimo de 41,65 por cento do petróleo, após o desconto dos custos de produção (que incluem os royalties).

BÔNUS DE ASSINATURA - O governo determinou que o consórcio vencedor de Libra pagará um bônus de assinatura fixo de 15 bilhões de reais, dos quais 50 milhões de reais ficarão com a Pré-Sal Petróleo (PPSA).

PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO - A fatia do governo nos ganhos obtidos com Libra poderá chegar a 75 por cento ou mais, incluindo o excedente em óleo, tributos e o bônus de assinatura, na avaliação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

CONCORRÊNCIA - Um mesmo grupo societário não pode participar de consórcios concorrentes na licitação, o que foi avisado a duas estatais chinesas que se inscreveram para participar do leilão, CNOOC e CNPC . Outras nove empresas estão inscritas para participar do leilão: a japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a malaia Petronas, a colombiana Ecopetrol, a Petrogal (da portuguesa Galp e da chinesa Sinopec), a Petrobras, a hispano-chinesa Repsol Sinopec Brasil (da Repsol com a Sinopec), a anglo-holandesa Shell e a francesa Total.

PRAZOS - O contrato de partilha para a área de Libra terá duração de 35 anos, dos quais 4 anos serão voltados para a fase de exploração e o restante destinado ao desenvolvimento e produção.

PARTILHA - A União e o consórcio vencedor partilharão mensalmente o volume de petróleo e gás natural produzido em Libra. A parcela do excedente em óleo que caberá à União deverá variar de acordo com a média do preço do petróleo tipo Brent e a média da produção diária de petróleo dos poços produtores do campo.

COMPENSAÇÃO POR INVESTIMENTOS - O consórcio vencedor poderá recuperar mensalmente o custo em óleo (entre investimentos realizados para explorar e desenvolver a área), respeitando o limite de 50 por cento do valor da produção nos dois primeiros anos de produção e de 30 por cento do valor da produção nos anos seguintes, para cada sistema produtivo do bloco. No entanto, se os gastos não forem recuperados neste período, havendo necessidade, o consórcio poderá ficar com o percentual de 50 por cento do valor da produção até que os respectivos gastos sejam recuperados.

RECONHECIMENTO DE GASTOS - Os gastos para a área de Libra terão de ser aprovados pelo Comitê Operacional, responsável pelos planos da área petrolífera, formado pelas empresas (inclusive Petrobras) e pela PPSA, estatal que representa a União, e posteriormente chancelados pela PPSA individualmente.

PODER GOVERNAMENTAL - A Pré-Sal Petróleo (PPSA) terá 50 por cento do poder de voto no Comitê Operacional, enquanto a Petrobras terá no mínimo 15 por cento dos votos. Desta forma, o governo terá pelo menos 65 por cento do poder de voto na gestão da área do pré-sal, com possibilidade de este percentual crescer caso a Petrobras entre com participação no consórcio acima do mínimo exigido por lei.

CESSÃO - A área de Libra poderá ser objeto de cessão por parte das empresas, mediante prévia anuência do governo, ouvida a ANP.

EXPORTAÇÕES - As empresas que participarem do consórcio de Libra poderão dar o destino que quiserem ao petróleo de sua cota na partilha, ficando livres para exportá-lo. No entanto, em situações de emergência que possam colocar em risco o abastecimento nacional de petróleo, bem como de seus derivados, a ANP poderá determinar ao contratado que limite suas exportações.


Reuters, por Sabrina Lorenzi (17/10/2013. 12h10)

Leilão de Libra não justifica greve dos petroleiros, avalia secretário

RIO  -  A principal motivação da paralisação dos petroleiros iniciada nesta quinta-feira se relaciona à obtenção do acordo coletivo salarial, avalia o secretário de óleo e gás do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antonio Almeida, que não vê o leilão de Libra como justificativa para o movimento. "Estamos em um momento de acordo coletivo. Então, não sei até que ponto [o leilão de Libra] seria motivo para uma greve dessa. A Petrobras vai participar de Libra", afirmou.

Já Helder Queiroz, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), afirmou que a greve dos funcionários da Petrobras é legítima e que, em tese, os sindicalistas pedem o retorno do monopólio. Entretanto, ele frisou que é esperado que se haja ordem e segurança.

Queiroz destacou ainda que o marco regulatório do setor atual foi construído e aprovado pela sociedade. "Cabe a nós [ANP] garantir que o marco regulatório seja cumprido", afirmou.

Os 15 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiram na quarta-feira aderir ao indicativo de greve lançado pela entidade na semana passada. As paralisações começaram nesta quinta-feira e, de acordo com a federação, não têm prazo para terminar. Estão sendo organizadas marchas e mobilizações em todo o país.

As reivindicações são o cancelamento do leilão do campo de Libra e avanços na campanha salarial. A categoria tem cerca de 150 mil trabalhadores da Petrobras, Transpetro e subsidiárias e pede aumento de 20,32%, a ser dado de maneira escalonada— reajuste de 6,6%, relativo à variação do Índice do Custo de Vida do Dieese (ICV),  mais 5% de ganho real em cima do valor corrigido e, sobre ele, a variação do PIB de 2010 (7,5%), “a título de produtividade”.

7/10/2013 às 12h45. © 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. Por Marta Nogueira | Valor. Dado Galdieri/Bloomberg


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Leilão do pré-sal está mantido e governo emitirá nota para explicar espionagem

DE BRASÍLIA - O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que está mantido para outubro o leilão do pré-sal, apesar das recentes denúncias de que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) teria espionado documentos da Petrobras.

"Eu não tenho nada a declarar. Quem vai tratar desse assunto é a presidente da República e o Itamaraty", disse.

Leilão faz Petrobras buscar acerto com China
Vencedor do primeiro leilão do pré-sal terá de pagar R$ 15 bi à União

O ministro evitou comentar se considera o episódio grave.

"A Petrobras vai emitir uma nota ainda hoje [sobre o assunto]", explicou o ministro. "Tudo está mantido conforme estava programado".

NOTA

A presidente Dilma Rousseff também comentou o caso, destacando que vai soltar uma nota ainda hoje, "que será muito satisfatória".

Ontem, reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, informou que novos documentos, classificados como 'secretos' vazaram e indicaram que a estatal também foi espionada.

Os documentos seriam de maio de 2012. A reportagem destacou que não há informações sobre a extensão da espionagem, mas que estavam na rede informações estratégicas associadas a negócios que envolvem bilhões de reais, como o leilão, marcado para outubro, que é da exploração do Campo de Libra, na Bacia de Santos, parte do pré-sal.

(Fonte: Folha de São Paulo/Julia Borba, Natuza Nery, Tai Nalon e Flávia Foreque) 11/9

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ANP rejeita planos da OGX para Tubarão Azul, dizem fontes.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu a análise e rejeitou os planos da petroleira OGX para o campo de Tubarão Azul, disseram duas fontes do governo com conhecimento do assunto.
"Eles propuseram furar poucos poços e a ANP não aceitou", disse uma das fonte à Reuters, sob condição de anonimato.
O plano de desenvolvimento do campo estava sob análise da equipe técnica da agência para determinar sua viabilidade econômica, após uma queda na produção.

"O plano de Tubarão Azul, na verdade, nunca foi aprovado pela agência, pois sempre teve pendências", afirmou outra fonte, também com conhecimento direto do assunto, pedindo para não ser identificada.
Após redução significativa da extração de petróleo no campo de Tubarão Azul nos primeiros meses do ano, a OGX informou ao mercado que deixaria de investir no aumento de produção da área, pedindo autorização da agência para reduzir o ritmo exploratório.

O plano de desenvolvimento está sendo reencaminhado à OGX, que pode propor aperfeiçoamentos, disse a primeira fonte.
A expectativa no governo, porém, é que a empresa devolva Tubarão Azul devido a sua posição financeira, disse uma fonte à Reuters na semana passada.

As duas fontes disseram ainda que a ANP não concorda com a abreviação na exploração do campo.
A diretora da ANP, Magda Chambriard, chegou a dizer que iria analisar "pessoalmente" os dados. Ela afirmou, em julho, que caso não aceitasse o plano de desenvolvimento da OGX, poderia pedir um novo plano. Se a empresa rebatesse dizendo que não havia viabilidade econômica, teria que devolver o campo.

A OGX negou que o seu plano tenha sido rejeitado pela ANP.
"O Plano de Desenvolvimento de Tubarão Azul está ainda em análise na ANP, não tendo sido negado, nem solicitado nenhum esclarecimento adicional até o momento", afirmou a empresa em resposta à Reuters.
Procurada, a ANP não comentou imediatamente as informações.

PRODUÇÃO EM QUEDA
A empresa do grupo de Eike Batista informou em julho que a extração no campo poderá parar no ano que vem, por falta de tecnologia capaz de viabilizar economicamente investimentos adicionais.
Mas fontes do setor afirmam que o campo apresenta problemas na pressão desde meados do ano passado.
A produção em mar da OGX, em vez de subir como se esperava, ficou estagnada, na média de 10 mil barris por dia, de agosto a dezembro do ano passado, elevando-se para 13,2 mil barris por dia em janeiro de 2013 e despencando para 1,8 mil barris diários em abril.

Em julho, o campo de Tubarão Azul, o único da companhia com produção de petróleo em mar, teve sua menor produção desde que entrou em operação, em fevereiro de 2012. No mês passado, os dois poços em funcionamento no campo (OGX-26HP e OGX-68HP) operaram apenas durante três dias, bombeando um total de 900 boe/pd, queda de 91 por cento ante junho.
A companhia amargou prejuízo de 4,7 bilhões de reais impactado principalmente pela provisão de perdas com campos de petróleo considerados inviáveis economicamente.

11ª RODADA
A fonte disse ainda que as autoridades federais aguardam o pagamento do bônus dos blocos arrematados pela OGX na décima primeira rodada de leilões de blocos de petróleo, realizada em maio.
A OGX arrematou 13 blocos sozinha e em parcerias na rodada, oferecendo o pagamento de bônus de cerca de 370 milhões de reais, cujos pagamentos devem ser concluídos até o fim de agosto.
"Eles já pagaram sócios nos blocos em que não são operadores... A expectativa pelos outros (pagamentos) e o DARF (guia de pagamento) ainda não apareceu", disse uma das fontes.
Em evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard disse que até o momento não foi informada sobre pagamento pela OGX de bônus da décima primeira rodada.

12ª RODADA
A minuta do edital da 12a rodada, para áreas de exploração de gás, será divulgada na semana que vem, acrescentou a primeira fonte, ligada ao governo.
A principal novidade será a exigência da atuação de uma empresa com experiência em gás não convencional.
A 12ª rodada, prevista para novembro, vai incluir 240 blocos com potencial de gás natural e gás não convencional, que em países como os EUA, é extraído do xisto.

"É o que a gente chama de exploração em Y, ou seja, se descobrir gás convencional a exploração será igual a de outras concessões, mas se for gás não convencional vamos exigir a presença de um operador com experiência no tema, até como garantia de segurança", disse a fonte.
Segundo a fonte, a concessionária --caso não tenha experiência-- poderá fazer uma contrato de prestação de serviço com a empresa especializada na atividade de fraturamento para a exploração do gás não convencional.
A entrada de uma empresa com conhecimento prévio em produção em áreas não convencionais seria exigida apenas a após a confirmação deste tipo de gás, disse a fonte.
A empresa com experiência comprovada pode ser brasileira ou estrangeira, disse a fonte, citando a Petra e a Queiroz Galvão como operadoras com essas características.

Se todos os blocos forem arrematados, a expectativa é de arrecadação de 200 milhões de reais.
"Nosso objetivo não é fazer dinheiro, mas avançar na exploração e conhecer mais o Brasil. O Brasil tem 25 mil poços perfurados e os EUA, só em shale gas (gás de xisto) tem mais de 100 mil", avaliou.

Por Rodrigo Viga Gaier e Sabrina Lorenzi. RIO DE JANEIRO, 26e Ago (Ruters).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Venda da LLX depende do BNDES

A venda do controle da LLX Logística, do grupo EBX, para o fundo EIG, depende da quitação de um empréstimo ponte no valor de R$ 518,5 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), feito para a LLX Açu Operações Portuárias, que vence em setembro.

A venda foi anunciada na semana passada, no valor de R$ 1,3 bilhão. Segundo o banco de fomento, essa é a única dívida direta da empresa de logística de Eike Batista com o BNDES, já que o empréstimo de longo prazo, para substituir o empréstimo ponte, ainda não tinha sido aprovado.

A LLX tem duas opções para viabilizar a operação: o grupo EIG pode fazer a aquisição da empresa com a dívida, ou a LLX quita as dívidas antes. É preciso, ainda, fazer uma anuência para alterar a titularidade do projeto, mas fontes do BNDES asseguram que isso não é problemas, uma vez que o fundo é conhecido no mercado. Quando o grupo alemão E.ON assumiu o controle da MPX, por exemplo, a troca no comando não gerou nenhum problema.

A LLX confirmou que mantém "negociações avançadas" com o BNDES e com o Bradesco para extensão do prazo de pagamento de suas dívidas junto a essas duas instituições. As dívidas de curto prazo com os dois bancos somam R$ 863 milhões. A LLX possui obrigação de R$ 518 milhões junto ao BNDES, originado de contrato de financiamento firmado em março de 2012.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, considerou normal que empresas interessadas no grupo EBX procurem o banco de fomento. "Na medida em que várias empresas têm migrado para novos controladores, nós podemos examinar dentro das regras normais", disse Coutinho, que participou do encerramento do Workshop Integra Brasil, promovido pelas federações de indústrias do Nordeste. "É natural que uma empresa que quer levar adiante um empreendimento de médio e longo prazo pergunte ao BNDES se ela está qualificada. Examinaremos como em qualquer outro caso", acrescentou.

Para Coutinho, dentro do processo de reestruturação das empresas, prorrogar o empréstimo-ponte de R$ 518,5 milhões para LLX não seria um ato extraordinário. O banco já prorrogou um empréstimo-ponte feito à OSX - grupo de construção naval e afretamento de plataformas do grupo EBX - que vencia na semana passada, em 70 dias. O valor do empréstimo é de R$ 418 milhões e vencia na semana passada. "A prorrogação do prazo do empréstimo-ponte é para dar tempo ao processo de reestruturação. É natural", frisou.

No caso do Bradesco, a empresa tem empréstimo de R$ 345 milhões, originado de contrato de financiamento de setembro de 2010. A dívida foi renegociada em agosto de 2012, e possui vencimento em fevereiro de 2014. A companhia também trabalha em nova rolagem para esse montante.

Em horizonte de médio prazo, a LLX possui ainda outro empréstimo com o Bradesco, de R$ 467 milhões, originado de contrato firmado em maio de 2011. Mas essa dívida já foi renegociada em abril de 2013, com prazo estendido por 18 meses. O vencimento atual desse empréstimo, após a rolagem, ficou para outubro de 2014.

Outra empresa do grupo EBX chamou a atenção do mercado ontem foi a MPX. A ações da companhia de energia caíram 4,9% e fecharam a R$ 5,09, surpreendendo alguns analistas, que não enxergavam um motivo aparente que justificasse a reação do mercado. Os papéis estão sendo negociados abaixo do preço de subscrição de R$ 6,45 para o aumento de capital da companhia (atualmente em curso), no valor de R$ 800 milhões.

A analista do banco UBS, Lilyanna Yang, afirmou, em seu relatório, que reduziu o seu preço-alvo para a empresa de energia em R$ 0,50, para R$ 8,5 por ação, devido ao mau desempenho no segundo trimestre. Segundo ela, existe o risco de que as despesas operacionais aumentem acima do previsto, como ocorreu no segundo trimestre. A redução de R$ 0,50 no preço-alvo da ação reflete, em parte, a frustração dos resultados no terceiro trimestre (R$ 0,30) e a formação de um "colchão" para contingências adicionais (R$ 0,20), afirmou.


Fonte: Valor Econômico/Elisa Soares, Alessandra Saraiva e Cláudia Facchini | Do Rio e de São Paulo  *Noticiário cotidiano - Indústria naval e Offshore. Ter, 20 de Agosto de 2013 08:02

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Governo pode rever papel da Petrobras no pré-sal

Para reduzir a pressão sobre a Petrobras, o governo avalia duas medidas: mudar a legislação para desobrigar a estatal de ser operadora e de deter pelo menos 30% de cada poço de petróleo do pré-sal e aumentar, ainda que parceladamente, os preços dos combustíveis. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, será consultado e poderá dar a palavra final sobre o reajuste da gasolina e do diesel reivindicado pela Petrobras. O aumento dos derivados só deve ser aprovado se couber no orçamento de inflação deste ou do próximo ano, disse uma fonte qualificada do Palácio do Planalto.
O compromisso do BC é entregar, neste ano, uma variação do IPCA (o índice oficial da inflação) menor que os 5,84% do ano passado e, para 2014, algo abaixo do que for neste ano. E a presidente Dilma Rousseff não quer comprometer esses objetivos. Já a iniciativa de mudar a lei, se for concretizada, não será a tempo de incluir a participação no leilão do campo de Libra, em outubro.
São grandes as pressões da estatal para obter aumento de preços, sobretudo após a mudança de patamar da taxa de câmbio. Sem a correção e com imensa demanda por investimentos, a Petrobras ficará em situação difícil e corre o risco de perder o "grau de investimento" das agências de rating.
A história da inflação no Brasil é rica em exemplos de insucesso nas tentativas de estabelecer controle de preços. Nos anos 1980, também para segurar os reajustes dos combustíveis e a inflação galopante, o governo usou a conta petróleo - mecanismo criado nos anos 60 para equalizar os preços dos derivados no território nacional - para subsidiar a Petrobras, cujos preços eram tabelados. Essa conta chegou a valores gigantescos e só acabou no fim dos anos 90, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que fechou o "rombo" com a emissão de dívida pública.
Em 2010, a ideia de controlar a inflação represando os reajustes dos combustíveis até parecia boa. Hoje, o governo admite que está em uma armadilha.

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

OGX deve deixar lições ao mercado

A ascensão e queda da OGX vai entrar para a história como um dos casos mais emblemáticos do mercado de capitais. Como ocorreu com a quebra da Sadia e da Aracruz, após apostas das duas empresas em derivativos cambiais de risco, a trajetória meteórica de cinco anos da empresa na Bovespa tem tudo para virar o motivo central de algumas lições.

Desde o julgamento da Sadia, em 2010, não há dúvidas sobre a responsabilidade que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) atribui ao conselho de administração e seus participantes na gestão e fiscalização do negócio.

No caso da OGX, o saldo da discussão será a qualidade da comunicação e o velho hábito das companhias de vestir a noiva da melhor maneira possível, algumas vezes, beirando o limite do disfarce.

No foco da questão, está o papel dos executivos no diálogo com o mercado, em especial aqueles com responsabilidade legal - ou seja, presidente e diretor de relações com investidores, além do controlador.

A CVM, na Instrução 480, é bastante clara. Diz em seu artigo 45: o diretor de relações com investidores (DRI) é responsável pela prestação de todas as informações exigidas pela legislação e regulamentação do mercado. Mas o dever desse executivo não diminui o dos demais administradores. "A responsabilidade atribuída ao diretor de relações com investidores não afasta eventual responsabilidade do emissor, do controlador e de outros administradores pela violação das normas legais e regulamentares que regem o mercado", completa a mesma regra, no artigo 46.

A OGX é uma oportunidade para a CVM explorar a aplicação dessas regras de comunicação, assim como Sadia e Aracruz foram sobre os deveres do conselho de administração. A comunicação com o mercado é de responsabilidade direta do presidente da companhia e de seu diretor de relações com investidores.

Eike Batista, idealizador e controlador da OGX, sempre esteve à frente do conselho de administração. Como controlador, é o maior acionista e, portanto, também é o principal afetado pela perda de valor do negócio.

Comunicação é responsabilidade do presidente e do diretor de relações com investidores

A gestão executiva sempre ficou nas mãos de profissionais de mercado. O primeiro presidente foi Luiz Rodolfo Landim, que ficou até abril de 2009, dez meses após a estreia da companhia na bolsa. O cargo então foi assumido por Paulo Mendonça, que ficou até junho do ano passado, quando foi substituído por Luiz Eduardo Carneiro, já em meio ao agravamento da crise de confiança que começou a se abater sobre a empresa em 2011. Na diretoria de relações com investidores, Marcelo Torres conduziu os trabalhos até abril de 2012, quando a área passou aos cuidados de Roberto Monteiro. Cabia a esses executivos, portanto, a tarefa de frear e filtrar os arroubos otimistas do controlador.

A OGX, de 2008 a 2013, divulgou 114 fatos relevantes. Para se ter uma ideia de volume, desde fevereiro de 2003, após instalação do atual sistema eletrônico da CVM, a Ambev, a maior companhia da bolsa brasileira, emitiu 41 comunicados deste tipo e a Petrobras, um total de 155.

Os comunicados da OGX chamavam atenção pelo conteúdo técnico. Dos textos, a parte com linguagem simples e acessível eram, na maioria das vezes, as aspas do então diretor presidente Paulo Mendonça ou do próprio controlador Eike Batista. Quase sempre, mais do que traduzir os dados técnicos, essas declarações comemoravam as informações e falavam da campanha exploratória "promissora" da empresa.

Essa foi a rotina durante 2009 e boa parte de 2010: uma longa sequência do registro de presença de "hidrocarbonetos" nos poços da empresa. Foi nesse período que o valor de mercado da OGX atingiu sua máxima.

A companhia chegou à Bovespa às vésperas do estouro da crise, em junho de 2008, com uma oferta pública inicial de R$ 6,7 bilhões. Em novembro de 2007, havia levantado US$ 1,3 bilhão com investidores privados, sem abrir capital, para ter recursos para o leilão dos campos.

Em sua história, a companhia investiu US$ 7 bilhões, entre campanha sísmica, pagamento de bônus de exploração e perfuração. Para tanto, captou com ações e papéis de dívida um total de US$ 9,4 bilhões.

Quando estreou na bolsa, a OGX foi avaliada em R$ 35 bilhões. Já nasceu grande. Mas, em outubro de 2010, após os primeiros resultados da campanha exploratória, ultrapassou a cifra de R$ 75 bilhões de capitalização. Chegou a ser, portanto, a maior empresa privada não financeira atrás apenas das três gigantes - Ambev, Petrobras e Vale.

Hoje, após admitir que a impossibilidade de operar seus principais poços, a companhia está avaliada em R$ 1,6 bilhão.

A partir de 2009, quando começaram as surgir os primeiros resultados dos estudos exploratórios e o registro dos hidrocarbonetos, o mercado chegou a questionar a quantidade de fatos relevantes para relatar apenas o indício da existência de petróleo nos poços. Para uma minoria crítica, os fatos relevantes já eram uma maneira da OGX vestir a noiva ao mercado.

Mas a maioria dos investidores, otimistas com a perspectiva do negócio, destacavam que a comunicação era a esperada para uma companhia pré-operacional. Entendiam que a OGX estava prestando contas ao mercado sobre o que fazia com os bilhões captados. No limite, estava sendo transparante.

A dinâmica da comunicação da companhia só mudou quando o cenário deixou de ser tão azul. E as novidades, já não tão boas, não eram mais alvo de fatos relevantes. Viraram comunicados ao mercado.

A partir de 2011, vieram as primeiras decepções. As informações negativas trouxeram frustrações pelo conteúdo e pela forma.

Em abril de 2011, um relatório da consultoria DeGolyer & MacNaughton (D&M) apontou para um volume menor de óleo do que o esperado para a OGX. A reação da administração foi minimizar o resultado. Mendonça chegou a comparar o relatório com o personagem "Benjamin Button", do cinema, alegando que a avaliação "nasceu velha".

Pouco menos de um ano depois, em março de 2012, os investidores souberam de novidades pouco animadoras sobre o campo Waikiki por meio de apresentações feita pela OSX. Por fim, a maior frustração veio, então, em junho de 2012 - antes da declaração de inviabilidade comercial. A produção do principal campo em atividade ficou em 5 mil barris diários, quando o esperado eram 15 mil barris.

Contar boas novas com festa e minimizar notícias ruins tende a ser prática corriqueira das companhias abertas. O limite desse comportamento não está nada claro e a expectativa é que a questão seja avaliada agora pela CVM.

Contar boas novas com festa e minimizar notícias ruins tende a ser prática corriqueira das companhias abertas

A mesma Instrução 480 que aponta o diretor de relações com investidores como responsável pela comunicação diz em seus artigos 14 e 15: "O emissor deve divulgar informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o investidor a erro" e "Todas as informações divulgadas pelo emissor devem ser escritas em linguagem simples, clara, objetiva e concisa".

O Valor apurou que as decisões da CVM de colocar em revisão as Instruções 358 e 480 têm como objetivo colocar no papel aprendizados com a vida prática das companhias - muitos deles com o Grupo X.

Há preocupação em deixar claro o que é um fato relevante e quais são os princípios gerais da boa comunicação com o mercado.

A ideia da existência de princípios gerais é que eles possam ser aplicados e cobrados, pela CVM, sobre divulgações feitas em qualquer plataforma, seja a comunicação oficial, seja comentários e declarações em redes sociais.

O Twitter, por exemplo, era amplamente usado por Eike Batista para demonstrar a confiança na empreitada. Suas declarações costumavam gerar grande repercussão.

Por enquanto, o que está sendo investigado, conforme apurou o Valor, é se a OGX forneceu as informações corretas no momento adequado e prontamente. Não há, até o momento, suspeitas de comportamentos mais graves, como fraude.

Outro saldo que deve ficar da destruição de mais de R$ 70 bilhões em valor de mercado é o reforço de uma lição aprendida fora do Brasil com o estouro da crise financeira a partir dos Estados Unidos: nada substitui a diligência dos investidores e acionistas.

A despeito da investigação que a CVM conduz na companhia, diversos especialistas destacam que muitas bandeiras com alertas importantes estavam escancaradas ao mercado há tempos.

Além do fato de o negócio ser de elevado risco, afinal a OGX é uma companhia pré-operacional de exploração de petróleo, as frustrações com a comunicação feita pela empresa e rotatividade incomum no quadro de executivos e até de conselheiros deveriam ter sido consideradas pelos investidores.

Desde 2008, cresce a cobrança para que os acionistas sejam mais participativos na atuação junto às empresas, no lugar de simplesmente venderem as ações quando ficam descontentes.

Fonte: Valor Econômico/Graziella Valenti | De São Paulo

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Edital indica retorno privado de até 25% para Libra, diz ANP

O governo trabalha com um cenário de disputa acirrada no 1º leilão de partilha do petróleo com a possibilidade de participação de até oito consórcios. Pela conta da diretora geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, depois de entregar à União sua participação mínima de 41,6%, pago o bônus de R$ 15 bilhões e o imposto de renda e contribuição social (CSLL) - ao longo da concessão - o consórcio vencedor ainda poderá ter lucro médio de 25% com a produção de petróleo em Libra, o maior campo do pré-sal até agora.

Ontem Magda chamou a atenção para o fato de Libra garantir, no mínimo, uma participação governamental equivalente a 75% do excedente em óleo. Esse percentual considera o bônus, o Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o excedente em óleo que será entregue à União em percentual mínimo de 41,65%.

Baseada no fato de 30 empresas terem se qualificado para a 11ª Rodada, realizada em maio, Magda acha possível que o primeiro leilão de partilha tenha seis a oito consórcios participando. "Claro que é especulação, mas esperamos o interesse de todas as grandes petroleiras", disse ela ao Valor, por telefone, de Londres.

Considerando o tamanho dos investimentos, que podem chegar a centenas de bilhões de reais, as empresas começaram ontem mesmo a fazer avaliações e estudar a viabilidade e retorno dos investimentos. Só o bônus de assinatura, que assim como royalties e encargos financeiros, não são reconhecidos como custo em óleo, vai custar R$ 15 bilhões. Cada empresa terá que pagar R$ 2 milhões para participar do leilão e ganhará quem oferecer maior percentual da produção de óleo para a União, respeitado o piso (41,65%).

Frisando que ainda é cedo para uma opinião sobre a atratividade econômica do leilão, o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos França de Luca, criticou alguns pontos da minuta do edital e elogiou outros. Os dois principais itens negativos, na avaliação da indústria, são o prazo de concessão, de 35 anos não renováveis, e o percentual de recuperação de custos (custo em óleo), que é de 50% nos dois primeiros anos e de 30% nos anos seguintes.

O IBP avalia que o prazo deveria ser maior, dado que o concessionário deverá ter, no melhor dos cenários, apenas 26 anos de produção e comercialização do óleo do campo de Libra, considerando quatro anos de exploração (que se gostaria que fossem cinco) e cinco de desenvolvimento da produção.

"Isso também traz um nível de incerteza para dentro do projeto porque qualquer atraso que houver, um equipamento que não chegar no prazo previsto, por exemplo, vai estrangular o período de produção", disse Flávio Rodrigues, coordenador de Relações Externas do IBP. "Se trabalharmos com o caso mais otimista, de 26 anos produzindo, isso pode ser reduzido para 25, 24 anos, dependendo do comportamento do projeto", completou o executivo, lembrando que a Petrobras tem atrasado o início de seus projetos.

Ao criticar o máximo de 50% de recuperação do custo em óleo (correspondente às despesas associadas à exploração e produção) nos dois primeiros anos do contrato, o IBP avalia que trata-se de um percentual baixo, considerando os pesados custos que as companhias terão que arcar principalmente no início do projeto sem poder recuperar nos primeiros nove anos os investimentos para produzir o chamado "primeiro óleo", previsto para 2017.

Uma fonte do governo explicou que os cálculos tiveram como base o percentual da Participação Especial (PE) paga nos campos que têm esse encargo, que incide sobre os de maior produção. "O custo [recuperável] nunca passou de 30%. Mas existe um gatilho que permite, a cada dois anos, voltar a recuperar 50% dos custos até fechar a conta", explicou a fonte.

A partir das informações divulgadas ontem, a indústria precisará de tempo. "Agora todos começam um período de avaliação da atratividade. [Com as minutas] é possível simular nos modelos o break-even [ponto de equilíbrio] e a viabilidade mínima", disse uma fonte. O edital traz uma tabela estabelecendo valores mínimos do excedente em óleo para a União que variam de acordo com o preço do petróleo - até US$ 60 e a partir daí variando a cada US$ 20 no preço até US$ 160,01 por barril - e a produtividade dos poços. É uma novidade que não se vê nos contratos de partilha mais conhecidos.

"Nos contratos de partilha consagrados não é esse o método de captura do lucro extraordinário", observou o executivo. "Se é bom ou ruim ainda não dá para saber, mas o fato de o modelo incluir a produtividade por poço preocupa, porque não é possível estimar ainda. Existem dados do pré-sal em Tupi e um poço em Libra, mas ainda são insuficientes. Pode ser que os primeiros sejam excepcionais e os seguintes não tão bons", completou a fonte, lembrando que a área de Libra tem 1,5 mil quilômetros quadrados.

Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, acha que a tabela é um aperfeiçoamento da Participação Especial que existe no modelo de concessão sem a variável preço (só volume), para capturar para o governo ganhos excessivos em caso de aumento do preço internacional e da produção de petróleo. "Na época em que foi feita a regra da PE o governo preferiu usar variáveis mais físicas e não físico-econômicas", disse Pires, que foi assessor da presidência da ANP na fundação da agência.

Em uma análise preliminar da minuta do contrato, o advogado Leonardo Miranda, do escritório Machado Meyer, afirmou que o documento deixa evidente a confiança que o governo tem em relação à atratividade do pré-sal. "Acho que o governo foi coerente com o que vem anunciado há meses, no sentido de que considera o pré-sal uma joia tão preciosa a ponto de pouco importarem termos contratuais extremamente rígidos", disse Miranda. "Libra é um ótimo teste, pois é um único ativo, ao contrário de um leilão onde há varias áreas em que uma ou mais possam justificar a aceitação de termos rígidos", completou.

Para o advogado, um dos principais pontos que podem trazer dúvidas aos potenciais investidores está relacionada à governança. "As limitações de apropriação [dos custos] e a ausência de correção monetária são desestimulantes, já que existe um controle absoluto desses procedimentos nas mãos da PPSA. Na governança, a dúvida a ser testada é quão independentes serão a Petrobras e a própria PPSA", disse advogado. Para Miranda o risco de governança aumenta "exponencialmente" se a Petrobras tiver mais do que 30% e o risco de perda dessa governança é reduzido apenas se os parceiros forem alinhados com a estatal.

Fonte: Valor Econômico/Por Cláudia Schüffner, Rodrigo Polito e Marta Nogueira | Do Rio
Qua, 10 de Julho de 2013 08:36

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