quarta-feira, 20 de abril de 2016

Sofrimento psíquico no trabalho

Medo, estresse, angústia podem estar ligados à atividade profissional.

Desenvolver bem o trabalho e as habilidades, ser reconhecido e receber remuneração condizente são três fatores que geram realização pessoal. É claro que é preciso dedicação pessoal para obter isso. Mas a sensação de bem-estar não tem preço.
Mas, assim como o trabalho é fonte de felicidade, também pode ser causa de muitos problemas psíquicos. A importância dele na vida das pessoas e as dificuldades vividas no ambiente profissional podem levar os trabalhadores a um grande sofrimento e colocar em risco a saúde mental.
Esse problema tem um nome. É o sofrimento psíquico no trabalho. Suas causas são diversas. Podem estar ligadas às dificuldades de relacionamento com colegas ou com a chefia, ou ainda a situações nas quais a pessoa se sente injustiçada, ameaçada ou acredita que suas qualidades ou seus esforços não são reconhecidos.
De acordo com Carla Júlia Segre Faiman, psicóloga da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e do Serviço de Saúde Ocupacional do Hospital das Clínicas, trabalhos extremamente monótonos, que não valorizam o potencial do trabalhador, ou que envolvam riscos e grande desconforto podem gerar muita insatisfação.
Pressão e estresse 
A atividade da construção civil é uma das campeãs em acidentes de trabalho. O risco da atividade acaba gerando o medo, o estresse e outros sentimentos negativos, que costumam ser grandes fontes de sofrimento dos trabalhadores. Isso provoca, muitas vezes, jogos perigosos e abandono do uso de EPIs, descumprimento de normas de segurança e brincadeiras desmoralizantes. São formas que os trabalhadores encontram para lidar diariamente com o risco da morte ou de mutilação.
"O perigo existe, é real e conhecido. Mas a necessidade do emprego e de lidar com o risco leva o trabalhador a confrontá-lo, desafiando a si mesmo e aos outros colegas", explica Tereza Luiza Ferreira dos Santos, mestre em Psicologia Social, psicóloga e tecnologista da Divisão de Sociologia e Psicologia da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho).
Os sentimentos de orgulho, rivalidade, bravura e virilidade que surgem, servem apenas para mascarar os temores. E é aí que mora o perigo. Quando não há mais como se "defender" da ansiedade e do medo, surgem outros comportamentos, que devem ser percebidos como indicadores de agravamento do problema. Como a depressão, desânimo e alcoolismo, por exemplo.
Como tratar
Embora nem sempre seja fácil expor o que se sente, seja qual for a origem da doença, a pior atitude a tomar é sofrer em silêncio. Em geral, as pessoas ainda têm muita vergonha em assumir que estão com dificuldades, mas estar doente e admitir isso não significam que sua dignidade será afetada, ou que há necessidade de se afastar do trabalho.
Se você está passando por essa situação, procure a ajuda de um amigo, chefe, médico ou psicólogo, que pode orientar e apontar caminhos para resolver a questão. Geralmente, o tratamento é realizado enquanto a pessoa trabalha, com eventual mudança de função. O afastamento só é recomendado apenas em casos graves. Lembre-se de que a culpa não é sua e de que você não é um "super-homem". Em algumas situações, por exemplo, é a própria empresa que deve ser "tratada", caso seja responsável pelo mal-estar de várias pessoas.


Fonte: http://equipedeobra.pini.com.br/index.aspx
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