sexta-feira, 10 de março de 2017

Delator confirma proposta para empresa desistir de obra da Petrobras

Edison Coutinho, ligado ao grupo Schahin, citou R$ 18 milhões à WTorre.
Obras do Cenpes foram investigadas na 31ª fase da Lava Jato.

Do G1 PR

O engenheiro Edison Freire Coutinho, ligado ao grupo Schahin, disse que acertou o pagamento de R$ 18 milhões para a empresa WTorre desistir das obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, no Rio de Janeiro. A informação consta no acordo de colaboração firmado entre o engenheiro e o Ministério Público Federal (MPF). Ele afirmou não saber se o dinheiro foi, de fato, pago.
O Cenpes esteve no foco das atenções da Operação Lava Jato durante a 31ª fase,desencadeada em junho de 2016. Ministério Público Federal e Polícia Federal (PF) afirmaram que o Consórcio Novo Cenpes, formado por diversas empreiteiras, pagou R$ 20 milhões em propina para conseguir o contrato para execução das obras do Centro de Pesquisa de Petrobras.
Coutinho relatou que foi designado pelo consórcio para negociar com empresa WTorre, que participou da licitação e aprensentou valor menor para a obra. À época da 31ª fase, a WTorre negou qualquer irregularidade.

O acordo

Além de Edison Freire Coutinho, José Antônio Marsílio Schwarz, igualmente ligados ao grupo Schahin, também firmou com a força-tarefa da Operação Lava Jato acordo de colaboração. Ambos deverão pagar multa de R$ 500 mil, em quatro parcelas.

Uma vez considerados culpados, eles poderão ser condenados até 15 anos de reclusão, sendo os primeiros meses em regime fechado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Edison Freire Coutinho e José Antônio Marsílio Schwarz e mais 11 pessoas são réus no processo que apura irregularidades nas obras do Cenpes. O grupo responde por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

Em virtude da homologação das colaborações, em 8 de fevereiro, Coutinho e Schwarz serão reinterrogados pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na primeira instância, nesta quinta-feira (9).

O que disse José Schwarz

Em um dos termos da delação, Schwarz relatou que o Grupo Schahin fez o pagamento de R$ 200 mil em propina para a campanha do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Paulo Ferreira, quando ele concorreu a deputado federal do Rio Grande do Sul.
De acordo com o delator, os pagamentos teriam sido feitos por meio de um escritório de advocacia suspostamente ligado ao partido e teriam sido descontados da propina devida ao PT na obra do Centro de Pesquisas da Petrobras. Ferreira não se elegeu nas eleições de 2010.

Foram emitidas, de acordo com Schwarz, cinco notas fiscais no valor de R$ 74.698,22. O colaborador disse ainda ter conversado sobre a doação com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

“QUE o declarante falou para João Vaccari Neto que tinham doado valores para a campanha de Paulo Fereira e que entendiam que esse pagamento seria considerado pela empresa como parte das contribuições frequentes que eram feitas ao Partido dos Trabalhadores, no âmbito do acordo que havia sido feito com o ex-tesoureiro do PT; QUE João Vaccari Neto escutou e anuiu com essa situação”, diz trecho do acordo.

Contrapartida

Para ter acesso aos benefícios do acordo, o Ministério Público Federal impôs algumas contrapartidas aos colaboradores:

- identificar autores, coautores e participantes das diversas organizações criminosos sob investigação na Lava Jato;
- revelação da estrutura hierárquica das organizações criminosas;
- comprovação das infrações penais praticadas pelos colaboradores;
- recuperação total ou parcial do produto e/ou proveito das infrações penais praticadas pela organização criminosa no Brasil ou no exterior;
- identificação das pessoas físicas ou jurídicas utilizadas pelas organizações criminosas;
- fornecimento de documentos e outras provas materiais;

Outro lado

O advogado Elias Mattar Assad, que defende Paulo Ferreira, afirmou que vai esperar a audiência dos delatores nesta tarde para qualquer consideração.

A WTorre informou, por meio de nota, que não teve participação na obra de expansão do Centro de Pesquisas da Petrobras; que não recebeu ou pagou a agente público ou privado nenhum valor referente a esta ou a qualquer outra obra pública.
“A companhia já prestou depoimento e os devidos esclarecimentos sobre o suposto recebimento de valores para abandonar a licitação de expansão do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras e nega, veementemente tenha se beneficiado de pagamento indevido referente a esta ou qualquer outra obra”, diz o texto.

G1 tenta contato com os demais advogados de citados.


Fonte: g1.com

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