quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Desemprego e cultura empreendedora

Apesar dos esforços da equipe econômica, as taxas de desemprego continuam a subir de forma descontrolada, tendo atingido, no ano passado,12,3%, o que corresponde a mais de 12 milhões de pessoas, 70% mais do que o verificado em 2014.
Estudos realizados pela FIRJAN mostraram que mais de 40% dos postos de trabalho criados entre 2008 e 2015 simplesmente desapareceram. Até surgem novas oportunidades, mas o grande gargalo está na qualificação dos candidatos.
Para combater os efeitos da crise, caracterizada por uma venenosa persistência ao longo do tempo e uma tendência a se tornar irrecuperável, o empreendedorismo vem sendo usado como um mecanismo capaz de ampliar a oferta de empregos e renda. Para tanto, novas políticas fiscais vêm sendo adotadas, com o intuito de facilitar a instalação de novos negócios.
A palavra empreendedorismo derivou de entrepreneur, introduzida na economia francesa no início do século XVIII, por Richard Cantillon, que a definiu como a capacidade de alguém assumir riscos, para obter recursos e iniciar um novo negócio.
Ela foi muito disseminada por Schumpeter, a partir da década de 40, quando lançou a sua “destruição criadora”, que descreve o processo de inovação, quando novos produtos e processos destroem as empresas e modelos de negócios que não são capazes de se renovar. 
Na verdade, a formação empreendedora é uma das chaves para o sucesso na vida profissional.
John Milton-Smith definiu, com muita propriedade, que empreendedorismo é, num sentido mais amplo, "uma descrição de comportamentos, competências e atributos que se relacionam estreitamente com a inovação e situações que envolvem altos níveis de incerteza, competitividade e complexidade”.
Nunca é demais recordar que a prática empreendedora é caracterizada pela exploração, com sucesso, de novas oportunidades, que levam a tecnologias, processos e produtos inovadores.
As competências técnicas, comportamentais e estratégicas, inerentes ao perfil dos empreendedores devem ser parte da formação, na medida em que é indispensável, por exemplo, preparar para as relações interpessoais, estimular a proatividade, a capacidade de lidar com o novo e a liderança.
Elas devem estar centradas num conjunto de atividades dentro e fora das salas de aula, em projetos integradores que permeiem várias disciplinas e permitam a geração de uma cultura para o empreendedorismo. 
No Brasil, empreender ainda é uma missão muito difícil, em decorrência dos obstáculos burocráticos, dos elevados impostos, dos mais altos do mundo, das enormes dificuldades verificadas na logística e na infraestrutura, que geram o famoso custo Brasil, da ausência de conhecimentos no processo de gestão dos negócios e, também, da falta de apoio à pesquisa e à inovação.
Entretanto, a cada dia surgem novos empreendedores que muitas vezes são derrubados pelos baixos índices de qualificação e pela inexistência, tanto no ensino médio como na educação superior, de cursos ou disciplinas que os capacitem verdadeiramente para um mercado difícil e competitivo.
Estamos atualmente em vias de construir uma nova estrutura para o ensino médio, que permitirá maior flexibilidade nas escolhas dos alunos. É um excelente momento para que as escolas orientem a formação dos seus estudantes, estimulando o surgimento das competências e habilidades relacionadas com o empreendedorismo. É claro que tal medida não nos isenta de assegurar a qualidade e a “boa aprendizagem” na oferta das disciplinas que compõem o ensino médio.

Ambientes favoráveis ao empreendedorismo e a geração de uma cultura empreendedora nas escolas são parâmetros determinantes para o sucesso. Se não conseguirmos assegurá-los, o aumento dos índices de desemprego passará a ser uma notícia corriqueira.
fonte: O Globo

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