quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Amyr Klink critica Petrobras e recebe carta indignada de presidente da estatal

Em entrevista à rádio CBN, no início do mês, o navegador chamou petroleira de "criminosa" e "empresa do atraso". Em resposta, executivo classifica comentários como "agressividade" e "descortesia"

O navegador brasileiro Amyr Klink criticou duramente a Petrobras durante uma entrevista à Rádio CBN, no início do mês, e por isso recebeu como resposta uma contundente carta do presidente da estatal, Pedro Parente, rebatendo os comentários, os quais classificaram como “agressividade gratuita e descortesia”.


No dia 5 de dezembro, Klink discorria, em entrevista à emissora, sobre o conteúdo de seu recente livro, Não há tempo a perder, quando passou a falar da crise brasileira. Na sequência, enveredou no tema corrupção, até chegar à Petrobras, sobre a qual emitiu comentários por 1min05s. “A Petrobras é uma empresa criminosa, que protagoniza a corrupção no país, desvios que resultam na falência de um país. Ela não pode passar incólume. O pipoqueiro faz uma empresa melhor com essa quantidade de dinheiro. Com esse dinheiro, você constrói a excelência. Ela não é a empresa de excelência, é a empresa do atraso, tem de se reinventar e renascer.”
Oito dias depois, Parente enviou a Klink uma carta de duas páginas rebatendo os comentários. “Escrevo para lamentar a imensa desinformação sobre a Petrobras, sua história e até mesmo sobre a natureza das investigações da Operação Lava Jato”, inicia o texto. "Apenas a falta de informações e o profundo desconhecimento das investigações ora em curso podem explicar a agressividade gratuita e a profunda descortesia com que você se refere à Petrobras e aos milhares de trabalhadores honestos que constroem a maior empresa desse país", diz Parente. O presidente da Petrobras afirma que, mesmo sem conhecimento das investigações, as declarações não se justificam: “Nenhum desses fatos, porém, justifica uma figura pública de sua magnitude e sua responsabilidade tratar a Petrobras e os fatos de forma tão distorcida".
Parente cita um trecho de discurso do procurador da República Deltan Dallagnol, da Lava Jato, segundo o qual “o número de corruptos na Petrobras identificados pela Lava Jato é um punhado de gotas comparado com o oceano”. O presidente ressalta que a empresa foi reconhecida como “vítima de um esquema criminoso” até pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki.
A carta diz, também, que a empresa tem se esforçado para ajustar seus controles internos, de forma que atos de corrupção não passem mais batidos. E pede que Klink “possa repensar o que disse sobre a Petrobras”.
Procurado por ÉPOCA para comentar o incidente, Klink disse lamentar “ter incomodado”. “Nunca quis ofender, e sinto pelo fato de uma empresa desse tamanho ter passado por isso. Tenho o direito de dar minha opinião e exercer minha ignorância”, disse.
Klink diz que a atual gestão é polêmica, mas que a apoia “plenamente”. “As medidas atualmente em curso vão funcionar, mas serão extremamente doloridas. Recuperar a empresa é difícil, reconstruir uma imagem abalada por escândalo é um trabalho é hercúleo.”  Lembra que já trabalhou para a estatal por meio de patrocínios. “Já levei a bandeira da Petrobras por todas as latitudes e longitudes do planeta. Torço para o sucesso da atual gestão, mas não precisamos de discursos. Precisamos de fatos e tempo.”
O navegador disse que também está preparando uma carta a ser endereçada a Parente, na qual, diz, vai “agradecer a resposta, lamentar a contundência e desejar boa sorte”. Procurados, Petrobras e seu presidente não comentaram o episódio.

SAMANTHA LIMA
20/12/2016 - 20h11 - Atualizado 20/12/2016 20h45


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