quinta-feira, 9 de junho de 2016

PETROBRAS VIVEU UM HOLOCAUSTO ATÉ 2014, DIZ CASTELLO BRANCO

Se pedisse a opinião de Roberto Castello Branco, ex-conselheiro da Petrobras, Pedro Parente ouviria que deve aumentar a pressão para melhorar o resultado da companhia, vender ativos para equilibrar a proporção entre dívida e geração de caixa, e olhar com atenção a governança da empresa. Ao mesmo tempo, deveria fazer um plano estratégico focando nas oportunidades de redução de custos, sabendo que na estatal 55% deles correspondem a despesas com pessoal, contra 32% na média observada nas empresas americanas.
Castello Branco, que foi diretor do Banco Central, além de diretor e economista chefe da Vale, acrescentou ainda que a direção da Petrobras deve procurar trabalhar para que o governo ajude dando autonomia para a estatal, e tornando a regulação do setor mais amigável para a indústria do petróleo como um todo.
"A Petrobras é a principal player desse setor no Brasil", lembrou Castello Branco em conversa com o Valor depois de uma apresentação sobre a estatal e o futuro do petróleo no Brasil, na Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O executivo, cujo mandato no conselho de administração durou um ano, até abril, mencionou dados que mostram a piora de todos os indicadores da Petrobras em um período de bonança para as empresas do setor.
Um deles é o prejuízo econômico acumulado no primeiro governo de Dilma Rousseff (2011 e 2014) de R$ 212 bilhões, citando estimativa da Stern Value Management. Nos cinco anos entre 2011 e 2015, a estatal perdeu R$ 200 bilhões em valor de mercado, e hoje a dívida líquida corresponde a 72% do valor da empresa em bolsa.
Ao apresentar os números da estatal, Castello Branco mostra que o endividamento da Petrobras representa hoje 18,5% da dívida pública federal. Segundo ele, uma amostra de como a companhia foi gerida de forma desastrosa, as perdas aconteceram em um período de superciclo das commodities. No período em que a estatal caminhou para o desastre, a produção americana de "shale oil" cresceu em 1,5 milhão de barris por dia durante três anos consecutivos, trazendo um ganho estimado em US$ 3 trilhões para a economia dos Estados Unidos.
Entre os momentos favoráveis perdidos está o período em que os preços do petróleo estavam acima de US$ 100 o barril; o crescimento de 6% do consumo de derivados no Brasil e a capitalização em 2010, que foi a maior do mundo e se deu depois da descoberta do pré-sal.
A conclusão é de que entre 2006 a 2014, a Petrobras esteve sujeita ao que Castello Branco considera "praticamente um holocausto econômico". O executivo, que ainda é bastante crítico com relação à intervenção do governo na companhia, avalia que a corrupção e a ineficiência andaram juntas. "Os custos da corrupção não se limitam aos valores subtraídos da companhia, que registrou perdas com corrupção de R$ 6,2 bilhões".
Crítico do controle de preços dos combustíveis que disse "pertence ao museu das políticas de controle da inflação", ele calcula que a medida trouxe perdas de R$ 100 bilhões para a Petrobras entre 2011 e 2014. Sobre a política de conteúdo local considera "semelhante à infame reserva de mercado da informática", que produziu equipamentos obsoletos, estímulos à corrupção e uma grande ineficiência. No lugar, propõe o estabelecimento de um prazo para que seja encerrada.
Nesse sentido, o ex-conselheiro da companhia mencionou críticos da Operação Lava-Jato, dizendo discordar do discurso de que a investigação provoca recessão. Acha o contrário. "A Lava-Jato trouxe mais riscos para os corruptos [do que para a economia] e no longo prazo trará como retorno a redução da atividade criminosa", diz, lembrando é positivo para o país.
Fonte: Valor Economico/Cláudia Schüffner | Do Rio

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