sexta-feira, 3 de junho de 2016

Ações da Vale - no Patamar histórico de Baixa

No curto prazo, a perspectiva é neutra para os preços da VALE PNA . Existe, entretanto, uma grande chance de movimentações mais explosivas para os preços caso ocorra o rompimento dos patamares mais próximos de suporte e resistência, localizados respectivamente em 11,00 e 12,00 conforme demonstrado pelas linhas verde e vermelha no gráfico abaixo.

Este cenário é acarretado pelo processo de acumulo de forças observado nos últimos pregões, que está sendo causado pela queda na volatilidade dos preços. Com isso, o rompimento do suporte ou da resistência descritos acima, poderia ser o estopim para a liberação da força acumulada durante o processo congestivo e consequentemente a ocorrência de movimentações mais amplas para os preços.
No caso de desrespeito do suporte, a possibilidade maior seria de aceleração da tendência de baixa, enquanto o rompimento da resistência poderia ocasionar uma forte valorização da ação com possível reversão da tendência de baixa de médio prazo.
A magnitude da força acumulada, pode ser observada pela forte contração das Bandas de Bollinger, identificadas pelas linhas cinzas no gráfico abaixo.
Já no médio prazo (de 5 dias a 3 meses), a tendência para a empresa ainda é de continuação das quedas, conforme apontado pela formação de topos e fundos descendentes para os preços da VALE5 no gráfico diário, pelas médias móveis negativamente inclinadas e pelo volume financeiro maior nos dias de queda, conforme pode ser observado pelo indicador de Acumulação/Distribuição.
A Vale é uma das três maiores mineradoras do mundo e tem um dos maiores valores de mercado entre as companhias brasileiras. São mais de 400.000 acionistas em todos os cinco continentes. A empresa é a maior produtora mundial de minério de ferro e pelotas, a segunda maior produtora de níquel e também produz manganês, ferro ligas, carvão térmico e metalúrgico, cobre, cobalto e fertilizantes. Atualmente, as ações da Vale são negociadas na BM&FBovespa, na bolsa de Nova Iorque, na bolsa de Paris e no mercado acionário de Hong Kong.

Pontos Positivos:
·         A Vale tem de classificação de investment grade pela S&P, Fitch, Moody e também pela Dominion Bond Rating Service. A visão de segurança em relação à companhia favorece captação de recursos a taxas mais atrativas e para prazos mais longos
·         O minério de ferro extraído pela Vale é considerado de alta qualidade e a companhia tem grande volume de reservas inexploradas
·         Presença global da companhia, que mantém operações de extração em vários continentes tem papel central na mitigação de seu risco geográfico
·         A divisão de fertilizantes da mineradora tem apresentado bom ritmo de expansão e contribuiu para diversificação de suas fontes de receita
Pontos negativos:
·         A redução no ritmo de expansão da economia chinesa tem impacto direto sobre as cotações do minério de ferro que responde por quase 70% da receita total da companhia
·         Os produtos da companhia são considerados commodities e têm seu preço pouco influenciado pela atuação da empresa e efetivamente determinados pelo mercado
·         Há grande pressão para que a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) seja aumentada o que pode pressionar as margens da companhia bem como a competitividade do minério brasileiro no mercado mundial


Visão dos analistas:
O Ambiente de negócios da Vale vem sendo marcado por forte pressão associada à queda dos preços do minério de ferro que são o principal produto da companhia. Com a redução no ritmo de crescimento da economia chinesa, as cotações do mineral atingiram sucessivas mínimas e têm trazido impactos às ações da empresa. Esse contexto, associado ao período tipicamente menos movimentado (primeiro trimestre) se mostrou um desafio para companhia. Após uma perda de mais de R$ 9 bilhões de reais nos três primeiros meses de 2015, a Vale anunciou um mix de redução de investimentos e venda de ativos como forma de enfrentar a situação com liquidez.
A diretoria da Vale optou por conduzir novos projetos de forma mais conservadora como forma de preservar sua solidez durante um momento de adversidade.
Ao mesmo tempo em que as cotações do minério foram desfavoráveis, o impacto do câmbio também não ajudou. Ficou claro que, no atual panorama de preços das commodities que a Vale negocia, o dólar em alta tem impacto negativo, pois afeta mais a dívida da companhia (grande parte em dólar) do que suas receitas. Essa situação se agravou a tal ponto que chegou a questionar se serão mantidos os níveis que a Vale tem acordado com seus credores de relação dívida líquida/EBTIDA.
Na operação de Moatize, a queda na cotação do carvão também afetou a Vale. Com isso, a operação teve EBTIDA negativo que também pode ser atribuído à falta de capacidade da ferrovia e de porto no local, o que atrapalha a adequada exploração desse ativo já que impõe restrições logísticas.
Apesar do cenário desfavorável (e sem perspectiva imediata de melhora) em relação ao minério, entendemos que a Vale é uma empresa que tem uma gestão de alta qualidade e uma base de ativos que tem o potencial de continuar gerando alto valor a seus acionistas ao longo dos anos. Nesse sentido, mesmo diante do cenário vislumbrado e comentados ao longo deste relatório, vemos cenário favorável para suas ações. Especialmente, temos essa visão vez que avaliamos que seus múltiplos extremamente descontados em relação à média histórica têm espaço para ajuste positivo. Para os investidores interessados em manter os papéis da mineradora em carteira, consideramos também atrativa a adoção de estratégias de proteção do capital através do uso de derivativos ou o aluguel dos papéis uma vez que a posição se trataria de uma aplicação com horizonte de vários anos.
fonte:Toro Radar 

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