terça-feira, 25 de abril de 2017

Petrobras já cortou mais de 180 mil empregos terceirizados

Diante de prejuízos recordes e de um forte aumento em seu endividamento, a Petrobras substituiu, nos últimos anos, sua política expansionista do início desta década por um movimento de fortes cortes de custos. Isso inclui a redução do total de profissionais da companhia, com impacto bem maior no pessoal terceirizado.
Como os profissionais concursados têm direito à estabilidade no emprego, a companhia teve de recorrer a programas de desligamento voluntário para reduzir este contingente. Conseguiu diminuir, em três anos, seu quadro de contratados em 20%. No fim de 2013, a companhia tinha 86.111 funcionários no Sistema Petrobras, número que caiu a 68.829 em dezembro do ano passado.
Segundo a Petrobras, o Plano de Negócios e Gestão atual da companhia prevê o corte de gastos operacionais e a readequação de seus investimentos.
A empresa também vem fazendo um programa de desinvestimentos. Em 2016, vendeu, por exemplo, seu negócio de gasodutos à canadense Brookfield, por US$ 5,2 bilhões. A petrolífera se prepara para se desfazer do controle da BR Distribuidora, dona de postos de combustíveis, e de outros ativos.
A empresa afirmou que seus programas de desligamento já resultaram na saída de 14.241 empregados, segundo dados atualizados até abril deste ano.
"A redução do número de empregados está no contexto de ajustes que estão sendo feitos pela Petrobrás para redução de seu endividamento, o maior entre empresas da indústria de petróleo e gás no mundo", explicou a companhia. "O contexto econômico mundial e do setor também reflete na estratégia da companhia. É incorreto associar a redução dos empregados direta e unicamente à Operação Lava Jato."
Proporção
Embora tenha restrições para reduzir seu quadro de funcionários concursados, a empresa tem total liberdade para cortar os terceirizados - contingente que, nos últimos anos, compôs a maior parte de seu quadro de colaboradores. Em dezembro de 2013, segundo dados enviados pela própria companhia, havia quatro terceirizados para cada funcionário próprio, ou um total de 360.180 trabalhadores.
A Petrobras concentrou a maior parte de seus cortes nos funcionários terceirizados. Em dezembro do ano passado, a empresa tinha 117.555 terceirizados, ou 1,7 para cada colaborador próprio.
A companhia informou ao Estado que mudou sua metodologia de contabilização dos funcionários terceirizados, excluindo, a partir de dezembro de 2015, os trabalhadores que atuam fora de suas instalações próprias da conta.
Fonte: Época Negócios

segunda-feira, 24 de abril de 2017

SBM BUSCA NOVOS NEGÓCIOS NO BRASIL, MAS DEPENDE DE AVAL PARA ACORDO DE LENIÊNCIA

A holandesa SBM Offshore já negociou com as autoridades brasileiras, prometeu ressarcir a Petrobrás e pagar multas no País, mas até agora não conseguiu o aval para a assinatura do acordo de leniência. Enquanto isso, segue interessada em novos negócios no Brasil, mas ainda depende da aprovação das entidades envolvidas nas investigações para voltar a pensar em novos contratos.
“Podemos participar das licitações, mas não podemos vencer”, afirmou o diretor global de governança e compliance da SBM, Eric Lagendijk, em entrevista ao jornal Valor Econômico, completando: “Se não podemos vencer, é difícil jogar”.
As investigações da Lava Jato apontaram que a empresa holandesa pagou US$ 42 milhões em propinas, entre 1997 e 2012, a pessoas ligadas a licitações de plataformas da Petrobrás, para obtenção de informações privilegiadas.
Após negociações com o Ministério Público, a SBM se comprometeu a pagar US$ 328 milhões em indenizações e multas, sendo US$ 149,2 milhões em dinheiro à Petrobrás, US$ 6,8 milhões ao Ministério Público Federal, US$ 6,8 milhões ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o restante em redução de 95% de pagamentos futuros de bônus em contratos com a estatal.
No entanto, apesar da assinatura do acordo de leniência em julho de 2016 com o Ministério a Transparência, Fiscalização e Controle, em setembro a Câmara de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal decidiu não homologar o acordo, alegando falhas, como a falta de informações importantes para a continuidade das investigações.
De lá para cá, a SBM vem aguardando algum avanço na negociação com as autoridades brasileiras, mas ainda não teve sinal de desfecho para o caso, que pode inviabilizar a participação da empresa holandesa na concorrência dos FPSOs de Libra e Sépia, os próximos do cronograma da Petrobrás.
“Queremos estar em novos negócios. (…) Não posso imaginar que não vamos resolver”, afirmou Lagendijk ao jornal.

ALEMANHA JÁ PAGA UM PREÇO CARO E CORRE RISCOS DE APAGÃO POR TER ABANDONADO A ENERGIA NUCLEAR

A Alemanha já está pagando caro pela escolha de querer  abandonar a sua base de geração elétrica de origem nuclear.  A rede elétrica do país quase desabou em janeiro devido ao mau desempenho das turbinas eólicas e painéis solares.  Por causa do tempo nublado com pouco ou nenhum vento, o cenário foi para grandes apagões. As usinas de energia eólica e solar quase não foram utilizadas.  Um grande apagão quase ocorreu em 24 de janeiro e só foi evitado quando os fornecedores de energia acionaram a última usina de reserva.
Michael Vassiliadis, chefe do sindicato que representa as usinas IG Bergbauchemie Energie disse que  a rede de energia elétrica do país estava em um limite absoluto e poderia ter ficado completamente offline, provocando um apagão nacional, se apenas uma usina estivesse fora do sistema:
“As energias renováveis não puderam sequer oferecer cinco por cento da demanda total de energia. O carvão, gás e energia nuclear mantiveram o país quase em primeiro lugar em geração elétrica“, disse Vassiliadis.
A Alemanha foi forçada a religar as usinas de carvão para simplesmente manter as luzes acesas. Os planos de energia verde do país exigem o fechamento de 30 dessas usinas até 2019. As abordagens de energia verde não conseguiram atender às metas de energia declaradas pela Alemanha, mesmo depois de gastar mais de US$ 1,1 trilhão. O plano Energiewende do país para impulsionar a produção eólica e solar para combater o aquecimento global não reduziu significativamente as emissões de dióxido de carbono (CO2). Muito pelo contrário.  Como resultado da incerteza da energia verde, a Alemanha planeja cobrir uma quantidade total de energia eólica em 40 a 45 por cento da capacidade nacional, de acordo com um relatório publicado pelo jornal alemão Berliner Zeitung.
A política energética moderna e ineficaz do país já obrigou os pagamentos de compensações a parques eólicos não operativos no valor de US$ 548 milhões no ano passado, o que impediu danos adicionais à rede elétrica, de acordo com um levantamento de empresas de energia.   Devido ao desempenho não confiável da energia eólica e oposição política às usinas nucleares, a Alemanha foi forçada a retornar ao carvão para gerar eletricidade. O carvão agora fornece 44% da potência elétrica da Alemanha, e esta mudança fez com que as emissões de dióxido de carbono (CO2) da Alemanha aumentassem em 28 milhões de toneladas de CO2 reais a cada ano após a mudança de política. Todos os subsídios da Alemanha e o apoio à energia verde aumentaram acentuadamente os preços da energia, com o alemão médio pagando 39 centavos por quilowatt-hora para a eletricidade.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

"PETROBRAS SERÁ UMA EMPRESA SÉRIA"

O novo diretor-presidente da Petróleo Brasileiro SA (Petrobras), Pedro Parente, comprometeu-se a devolver "a grandeza" à abatida estatal ao se livrar de ativos - e de ideologias obsoletas - que não servem mais para a empresa mais importante do Brasil.
Em uma entrevista concedida ao "The Wall Street Journal" na sexta-feira, a primeira para a mídia estrangeira desde que assumiu o cargo, em maio, o ex-executivo do setor de agronegócio ressaltou que uma empresa mais enxuta e lucrativa, livre de intervenções políticas, é o caminho para restaurar a imagem da petrolífera.
"Ela será uma empresa séria [...] com a melhor administração que podemos ter neste país", disse Parente. "Esses não são sonhos pequenos que temos para a empresa. Eu não teria vindo para cá, senão com uma visão para trabalhar na recuperação da grandeza desta empresa."
Ele sinalizou que sua estratégia está praticamente em linha com a definida pelo seu predecessor, Aldemir Bendine: vender ativos secundários e cortar custos para reduzir a dívida gigantesca da empresa, de cerca de US$ 126 bilhões.
Parente confirmou que a empresa recebeu três ofertas de compra para uma fatia da BR Distribuidora, mas não deu mais detalhes sobre essas ofertas.
A empresa também está em negociação exclusiva com a gestora Brookfield Asset Management, do Canadá, para vender sua unidade de dutos de gás natural, a Nova Transportadora do Sudeste.
A Petrobras já afirmou anteriormente que pretende cortar sua dívida para 2,5 vezes o seu fluxo de caixa. Parente disse que preferiria reduzir a dívida para entre uma a duas vezes o fluxo de caixa, uma meta difícil.
"O maior desafio será reduzir a dívida. Hoje, do ponto de vista contábil, técnico, ela está virtualmente quebrada", diz Luis Octavio da Motta Veiga, ex-presidente da estatal, que elogia a experiência de Parente para o cargo. "Ele pode fazer isso, mas não será fácil."
Parente também indicou possíveis mudanças na empresa no curto prazo. A Petrobras já demitiu milhares de funcionários terceirizados e começou um programa de demissão voluntária para empregados diretos. O executivo não descarta mais demissões, mas não deu detalhes.
Ele também apoia um projeto de lei que abriria os cobiçados campos de petróleo do pré-sal para as empresas estrangeiras. Isso gerou críticas severas dos sindicatos de trabalhadores do setor petrolífero e outros oponentes preocupados com o que consideram uma venda do patrimônio brasileiro para estrangeiros.
A lei atual exige que a Petrobras seja a principal operadora e tenha uma participação de pelo menos 30% de qualquer projeto nos campos do pré-sal. Esta exigência forçou a Petrobras a fazer grandes empréstimos e desacelerou o desenvolvimento das reservas em águas profundas do Brasil.
"Há um tabu ou dogma em relação a administrar ativamente esse portfólio? Não", disse Parente. "Considerando nossas restrições financeiras, temos que ser muito seletivos na escolha dos campos em que vamos investir."
Em maio, a Petrobras divulgou um prejuízo de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, resultado de uma queda na produção de petróleo e de vendas mais fracas no mercado doméstico, em meio a uma das maiores recessões do país em décadas.
Em março, a petrolífera registrou seu pior resultado trimestral da história ao ser forçada a fazer uma baixa contábil de R$ 49,75 bilhões em ativos e investimentos do ano passado.
A cotação das ações da Petrobras se manteve praticamente inalterada desde a nomeação de Parente, em maio, uma vez que detalhes específicos dos seus planos para a empresa ainda não foram anunciados. Na sexta-feira, as ações preferenciais da Petrobras fecharam a R$ 8,95.
Parente, que já foi o mais alto executivo da unidade local do gigante americano do agronegócio Bunge, é hoje presidente do conselho da BM&FBovespa.
Embora não tenha feito carreira no setor de petróleo, ele não é um estranho na Petrobras, tendo ocupado um assento no conselho da estatal entre 1999 e 2003. Ele também tem familiaridade com os meandros do governo, ocupando os cargos de ministro da Casa Civil e do Planejamento durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Essa experiência pode se mostrar valiosa num momento em que Parente terá que lidar com a séria e caótica situação política que hoje impera em Brasília. Enquanto o país aguarda o julgamento definitivo da presidente afastada Dilma Rousseff, três ministros já saíram do governo desde que Michel Temer assumiu a presidência.
"Não posso ficar preocupado com isso, está fora do meu controle", disse Parente. "A empresa não pode perder tempo. Minha perspectiva em termos de tempo é ficar aqui e fazer as coisas que têm que ser feitas. Não vou ficar esperando essa decisão" sobre o impeachment.
Parente diz que recebeu garantias de que não haverá interferência política na companhia. Nos últimos anos, o governo usou a Petrobras como arma no combate à inflação, impedindo a estatal de aumentar os preços dos combustíveis. A empresa gastou bilhões de dólares subsidiando gasolina e diesel importados para os motoristas brasileiros.
Parente também terá que negociar com sindicatos, que em algumas ocasiões impediram as tentativas da empresa de cortar custos. Depois que Parente deu seu apoio à revisão da lei do pré-sal, que tramita no Congresso e seria uma tentativa de trazer mais investimentos para a exploração, alguns sindicatos de peso começaram a protestar, inclusive com uma greve de 24 horas dos petroleiros.
"Estou pronto para o diálogo [com os sindicatos], mas tem que ser baseado em dados e fatos", disse Parente. "Infelizmente, não sei se em todos os setores, mas há visões dogmáticas por parte de algumas organizações sindicais com relação a este tema. Mas estou plenamente aberto ao diálogo."
Representantes dos sindicatos não responderam a pedidos de comentários ontem.
Há ainda os efeitos duradouros do enorme escândalo de corrupção na Petrobras, deflagrado pela operação Lava-Jato. O escândalo forçou a Petrobras a dar baixas contábeis de bilhões de dólares ligadas a prejuízos e à redução do valor de ativos, e vários processos foram abertos contra a empresa no Brasil e nos Estados Unidos.
Na entrevista, Parente deu indícios de qual será sua estratégia para lidar com as dezenas de ações abertas por investidores americanos, incluindo a Fundação Gates, de Bill e Melinda Gates e a Pimco, gigante dos fundos de renda fixa, que compraram ADRs da Petrobras na bolsa de Nova York.
"A história mostra que você faz acordos", disse Parente.
Fonte: Valor Economico/Will Connors e Luciana Magalhães | The Wall Street Journal, de São Paulo

segunda-feira, 3 de abril de 2017

ANP multa Petrobras em R$ 2,6 bi por irregularidades no cálculo de royalties

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aplicou multa de R$ 2,6 bilhões à Petrobras e aos sócios do campo de Lula, o maior do país, por irregularidades no cálculo de royalties sobre a produção.
Em 2016, a agência iniciou uma investigação sobre o tema após observar comportamento atípico nos preços do petróleo informados para o cálculo das compensações financeiras pagas a estados e municípios.
Os royalties são calculados com base no maior valor entre o preço estabelecido em nota fiscal de venda do petróleo ou um preço de referência estipulado pela própria ANP.
Analisando as contas das petroleiras, a área técnica da agência identificou que, em determinado momento, o preço de venda informado pelas empresas começou a se aproximar do preço de referência, que era menor.
Em outubro, quando o problema veio à tona, a direção da ANP evitou citar o nome das empresas suspeitas, mas disse que aprofundaria as investigações.
"A gente não pode hoje, com as informações que a gente tem, dizer que é uma operação irregular. Isso está sendo apurado porque houve um comportamento estranho de um determinado momento para a frente", disse na época o diretor da agência Waldyr Barroso.
A ANP ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Em nota, a Petrobras diz que a muta foi dada por "divergência na interpretação da aplicação de preços do petróleo utilizados para o cálculo de participações governamentais" entre maio de 2013 e dezembro de 2016.
Lula produziu uma média de 730 mil barris de petróleo por dia em janeiro, segundo dados da ANP. É hoje o campo que mais paga royalties no país.
A Petrobras tem como sócias no projeto a BG, que é subsidiária da Shell e a Galp.
"Os consorciados entendem que atuaram em conformidade com a legislação em vigor desde 2000", disse a estatal, acrescentando que a "alteração da interpretação" pelo órgão regulador afeta a viabilidade do projeto.

"Dessa forma, o consórcio contestará a autuação perante a ANP e, em sendo necessário, adotará as medidas judiciais cabíveis na defesa dos seus interesses", completou.
fonte: folha

Trinta e sete pessoas serão indiciadas pela PF na Operação Carne Fraca

Comandada por três delegados da PF, a equipe de investigação tem a convicção sobre esquema criminoso de indicações política em cargos chaves do Ministério da Agricultura


Comandada por três delegados da PF, em Curitiba, a equipe da Carne Fraca tem a convicção de ter descoberto um esquema criminoso de indicações políticas

Esse país é uma piada!!! Os Policiais fazendo seu trabalho e "neguinho" criticando. Então é melhor fechar a polícia e deixar todo mundo fazer putaria. 

A Polícia Federal considera ter reunido elementos para indiciar na próxima semana os 37 alvos da Operação Carne Fraca, por supostos crimes de corrupção, advocacia administrativa e fraudes em fiscalizações federais e vai individualizar os apontamentos de supostos crimes à saúde pública e contra o consumidor.
Os investigados são funcionários do Ministério da Agricultura, executivos e donos de frigoríficos e empresas de alimentos processados, entre elas, nomes da JBS e da BRF, alvos das prisões e buscas do dia 17 de março, realizadas em 7 estados: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.
Comandada por três delegados da PF, em Curitiba, a equipe da Carne Fraca tem a convicção de ter descoberto um esquema criminoso de indicações políticas, em cargos chaves do Ministério da Agricultura, em especial no Paraná e Goiás, que tinha como contrapartida a obrigação de arrecadar propinas para partidos como PMDB, PP e PDT com empresários do setor de carnes e embutidos.
O delegado Maurício Moscardi Grillo - que trabalha junto com os delegados Roberto Biasoli e William Tito - iniciou o relatório parcial de indiciamento dos alvos para apresentar ao juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal, em Curitiba, até o dia 17 - dos alvos, 26 estão presos preventivamente.
Os policiais trabalham na conclusão do cruzamento de dados das quebras de sigilos bancários e fiscais dos investigados - ainda não tornadas públicas - e dos 13 mil grampos telefônicos e telemáticos feitos em 2016, com o material apreendido nas buscas São 195 malotes carregados de documentos, agendas, anotações, provas que estão sob análise.
O relatório de indiciamento dos alvos deve trazer, entre outros elementos, as análises de alimentos produzidas pelo Ministério da Agricultura, nas 21 empresas alvos da Carne Fraca, que apontam adulteração em produtos, bem como os grampos que revelam tratativas dos empresários com os fiscais para liberar cargas de produtos enviados para China, Espanha e Itália.

Corrupção sistêmica

A suspeita da polícia é que o esquema descoberto envolvendo fiscais do Paraná, Goiás e Minas Gerais, pode ter sido espelhado nas demais superintendências do Ministério da Agricultura, nos Estados, e nos serviços de inspeção de produtos de origem animal (Sipoas). Nas duas últimas semanas foram ouvidos depoimentos de produtores rurais, agentes públicos e outras testemunhas que indicaram nomes de fiscais, políticos que seriam os responsáveis por suas indicações e fatos específicos de fraudes. O material será enviado aos Estados de origem dos fatos, para abertura de novas investigações.
"É como se fosse uma Lava Jato da área de Agricultura", afirmou um investigador, com acesso aos inquéritos. O ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, apontado na Carne Fraca como um dos líderes do esquema e preso desde o dia 17, iniciou negociação com a polícia para fazer um acordo de delação premiada e pode ampliar o foco da Carne Fraca

Sob ataque

O impacto da operação no mercado internacional, decorrente da forma como ela foi divulgada no dia da deflagração, provocaram um efeito devastador nas vendas de carnes e embutidos nacionais. Nas últimas duas semanas, as exportações despencaram, fruto de embargos dos países compradores, o consumidor nacional ficou apavorado e governo e setor produtivo reagiram duramente.

Em 12 anos de Polícia Federal, o delegado Maurício Moscardi vive seu momento de maior tensão da carreira. Desde o dia em que comandou a deflagração da Carne Fraca, ele virou o principal alvo dos ataques contra a operação, inclusive de entidades de classe da polícia.
Fuzilado publicamente por ter gerado prejuízos - ainda incalculáveis - à cadeia produtiva de carnes e embutidos do Brasil, Moscardi fechou a porta da sala 211, no segundo andar da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para a imprensa. Tem evitado atender jornalistas e vira as noites acordado para concluir o relatório de indiciamento dos alvos - três deles ligados a BRF e JBS.
Os bloqueios internacionais à carne brasileira anunciados nos quatro cantos do hemisfério fizeram o presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acusarem publicamente a PF de erros na condução da operação. Coordenador da Carne Fraca e também um dos cabeças da Operação Lava Jato, não é a primeira vez que o delegado vira alvo de ataques.
Em 2013, ele conduziu a Operação G7, deflagrada no Acre, que levou para cadeia empresários e pessoas do governo do Estado ligados ao governador Tião Viana (PT). No escândalo Petrobrás, ele também foi alvo de dossiê que o acusava de agir politicamente contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto com outros delegados da força-tarefa.
A interlocutores próximos, Moscardi tem dito que a conclusão do inquérito provará que há riscos decorrentes da corrupção que a Carne Fraca investiga, no Ministério da Agricultura. E que houve falha na interpretação da imprensa sobre as afirmações que fez sobre uso de papelão nas linhas de produção das empresas alimentícias, uso de substâncias cancerígenas se aplicas em altas doses e sobre os riscos à saúde. E tem negado erros nas investigações.
Em palestra na última semana, o delegado falou sobre os ataques. "Críticas virão, mas devemos ter foco no trabalho. Meu trabalho visa atender à coletividade e a sociedade como um todo. Não são fáceis as críticas, mas tenham a certeza que trabalharei sempre para melhorar nosso País. Se precisar ser criticado muitas vezes mas tiver a certeza que a vida dos brasileiros irá melhorar, continuarei neste caminho. Aprender a lidar com críticas faz parte do jogo."

Defensiva

A JBS informou, por meio de assessoria de imprensa, que "opera de acordo com a legislação e mantém rígidos padrões e processos para garantir a qualidade dos seus produtos" e que "não compactua com qualquer desvio de conduta de seus funcionários e tomará as medidas cabíveis".
A BRF informou que "não compactua com práticas ilícitas. "Ao ser informada da operação da PF, a companhia tomou imediatamente as medidas necessárias para a apuração dos fatos. Essa apuração será realizada de maneira independente e caso seja verificado qualquer ato incompatível com a legislação vigente, a BRF tomará as medidas cabíveis e com o rigor necessário". Informou ainda que "todas as medidas tomadas pela empresa e seus técnicos estão plenamente de acordo com os mais elevados níveis de governança e compliance e de forma nenhuma ferem qualquer preceito ético ou legal do Brasil e dos países para os quais ela exporta seus produtos".
O PMDB afirmou que não autoriza ninguém a falar em nome do partido e que está à disposição da justiça para qualquer esclarecimento. 

Lava Jato provocou 50 mil demissões no setor naval em apenas três anos

Lava Jato não, o Cara pálida!!! A sujeira dos políticos.

Jornal GGN - Obras inacabadas, canteiros vazios, estaleiros sem pagamentos, demissão de 50 mil pessoas em três anos. Este é o cenário do setor naval após dois golpes: primeiro, o da Lava Jato sobre a Petrobras e outras gigantes brasileiras. Segundo, o do impeachment de Dilma Rousseff, que levou Michel Temer ao poder e, com ele, mudanças na política de conteúdo local, na própria estatal de petróleo e nos leilões que agora permitem a concorrência internacional. É o que relata a jornalista Leila Coimbra em reportagem publicada pelo Poder 360, neste domingo (2).
Por Leila Coimbra
 
No Poder 360
 
Afetada diretamente pela Operação Lava Jato, a indústria naval brasileira demitiu mais de 50 mil pessoas desde 2014, quando a área de petróleo atingiu seu pico de encomendas.
 
Agonizando, o setor recebeu novo golpe neste ano: a flexibilização das regras de conteúdo local, uma obrigação contratual dos leilões que garantiam protecionismo à indústria nacional.
 
O cenário atual é de obras inacabadas, canteiros vazios e estaleiros sem receber pagamentos há 3 anos, com algumas das plataformas e navios-sonda quase prontos, mas abandonados. São encomendas de milhões de dólares.
 
O número de trabalhadores caiu de cerca quase 83 mil em 2014 para 33 mil atualmente, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). E novos postos de trabalho são encerrados mês a mês.
 
O governo pretende realizar 4 leilões de exploração de petróleo neste ano, sendo 2 no pré-sal. A notícia, no entanto, não agradou ao setor.
 
Para tornar os blocos  mais atrativos às petroleiras no leilão (estrangeiras, inclusive), houve a flexibilização da exigência de contratação no país. As empresas de petróleo, lideradas pela Petrobras, dizem que os custos no Brasil são até 40% mais caros. Os que defendem o protecionismo alegam que é justamente necessário fortalecer e tornar competitiva a indústria nacional do setor.
 
LAVA JATO
A agonia do setor teve início com a deflagração da Lava-Jato. Construtoras denunciadas na operação como Odebrecht, Camargo Correa, OAS e UTC, dentre outras, são sócias de muitos dos estaleiros nacionais. Além disso,  os parques de construção naval dependiam quase exclusivamente das encomendas da Petrobras, que, com prejuízos sucessivos diante da operação, foi obrigada a reduzir drasticamente seus investimentos e a vender ativos, ficando muito menor do que era.
 
O Rio de Janeiro é um dos Estados mais atingidos pela crise do setor naval, devido à dependência econômica da cadeia de petróleo. O número de estaleiros paralisados, total ou parcialmente, são pelo menos 5 (Eisa, Enseada, Vard, Promar e Aliança)
 
SETE BRASIL
Na Bahia, o estaleiro Enseada Paraguaçu, que possui dentre os sócios a Odebrecht, paralisou suas obras. O estaleiro era bastante dependente dos pedidos da Sete Brasil.
 
A Sete foi criada em 2010 para fornecer 29 sondas para a Petrobras explorar o petróleo do pré-sal. Também é alvo da Lava Jato.
 
A Petrobras é sócia e também credora da Sete. Fundos de pensão como Petros, Previ e Funcef, além de instituições financeiras como Bradesco, Santander e BTG Pactual constituíram a empresa.
 
O contrato da empresa junto à Petrobras era de aproximadamente R$ 162 bilhões, por 15 anos. O diretor de operações da Sete era Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras.


A importância da qualidade da água na produção de cerveja

A água é o principal constituinte da cerveja, correspondendo a aproximadamente 95% da bebida e, por esse motivo, suas características influe...