segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Delator diz que ex-presidente Lula integrou esquema na Petrobras

Delcídio do Amaral foi cassado por 74 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção, no plenário do Senado Federal, no dia 10 de maio. A decisão, no entanto, não o proíbe de ocupar cargos públicos, por exemplo. Em petição enviada ao STF, a força-tarefa da Lava Jato solicita a apuração do relato feito por Delcídio que se refere à "participação de personagens centrais do Partido dos Trabalhadores, entre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Antonio Palocci e Paulo Okamotto, nas tratativas voltadas ao pagamento de valores ilícitos para manter o silêncio de Marcos Valério no denominado caso do 'mensalão'". A prisão aconteceu no dia 25 de novembro de 2015 com a entrega de um áudio onde Delcídio oferecia o valor de R$ 50 mil por mês para a família de ex-diretor Bernardo Cerveró, e uma fuga do país, período em que Cerveró estava preso em Curitiba. Após a decisão do presidente da sessão do impeachment, ministro Ricardo Lewandowski, do STF, de acatar um recurso da bancada petista e dividir o processo em cassação do mandato de Dilma e a manutenção de direitos políticos e a possibilidade de assumir cargos na administração pública, representantes do PSDB, do DEM e do PMDB utilizaram o caso de Eduardo Cunha, cuja votação de cassação na Câmara dos Deputados está marcada para o próximo dia 12, para justificar o mandado de segurança na Suprema Corte para questionar a elegibilidade da ex-presidente. Nesta quarta-feira (31), por 61 votos a 20, o Senado aprovou a destituição da presidente. Inicialmente, o Senado faria apenas uma votação para determinar, conjuntamente, o impeachment e a inabilitação de Dilma, conforme previsto na Constituição. No julgamento de Dilma, os senadores votaram duas vezes. Pela legislação, atualizada em 2010 pela Lei da Ficha Limpa, Delcídio fica inelegível após a cassação de seu mandato. "A perda dos direitos políticos não é consequência automática da cassação do mandato". Apontam uma "sucessão de atropelos" no trâmite do caso que teriam impedido a "ampla defesa" do ex-senador e o "devido processo legal". "Claro que ela não se sente contemplada por isso, ela queria não ter sido afastada", observou. As maiores críticas são dirigidas ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Esse grotesco atropelamento de importantes fases do procedimento só revela o quão nocivo foi o destempero do presidente do Senado para dar andamento ao procedimento de cassação", diz a peça. 

Fonte: Cultura e Arte Noticias http://culturaeartenoticias.com/2016/09/delator-diz-que-ex-presidente-lula-integrou-esquema-na/

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

MPF não valida acordo de leniência que pagaria R$ 1 bilhão para Petrobras

Por entender que o acordo de leniência da holandesa SBM Offshore, no qual a empresa admite a participação em esquemas fraudulentos na Petrobras, é vantajoso demais à empresa e não fornece informações suficientes para a investigação, o Ministério Público Federal deixou de homologar o compromisso. Com isso, a estatal pode deixar de receber mais de R$ 1 bilhão em reparações — a contragosto do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.


Cancelamento do acordo pode dar prejuízo de US$ 12,66 bilhões à Petrobras.

O acordo foi assinado em 15 de julho pela pasta, MPF, Advocacia-Geral da União, Petrobras e SBM. No documento, a empresa comprometeu-se a esclarecer fatos ocorridos entre 1996 e 2012, quando o lobista Julio Faerman era seu representante no Brasil. Conforme ele afirmou em delação premiada, a companhia transferiu recursos em contas no exterior a executivos da estatal em troca da obtenção de contratos. Além disso, a SBM obrigou-se a pagar valor superior a R$ 1 bilhão à petrolífera, US$ 6,8 milhões ao MPF e US$ 6,8 milhões ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras
Em contrapartida, as autoridades garantiram o fim das investigações de pagamentos de vantagens indevidas feitos pela SBM a empregados da Petrobras, as quais poderiam resultar em ações civis públicas de improbidade administrativa.
Contudo, a Câmara de Combate à Corrupção do MPF entendeu que o documento tem falhas que impossibilitam sua homologação. Uma delas é que o acordo não indica quais dados, documentos, informações e outros elementos contribuirão para a investigação de atos de improbidade administrativa.
Outro defeito é que não há proporcionalidade entre as obrigações e benefícios da SBM. Para a câmara, o compromisso é vantajoso demais à empresa, porque ela ficaria isenta da investigação de contratos que já são alvo de inquérito e poderia manter seus contratos com a Petrobras e ser escolhida para novos serviços. Em troca, teria que ressarcir os danos causados por seus ilícitos e disponibilizar “base de dados cujo conteúdo é desconhecido”.   
O “pedágio” que vem sendo cobrado pelo MPF em acordos de leniência é outra irregularidade, segundo o órgão. De acordo com seus integrantes, não há previsão legal para a prática. Sem isso, tal exigência afetaria a integridade moral do documento.
Ainda foram apontadas outras falhas, como o fato de o compromisso não identificar claramente todas as partes dele e de não estar assinado pelos advogados da SBM.
Dessa maneira, a Câmara de Coordenação e Revisão decidiu devolver os autos ao MPF no Rio de Janeiro para que os procuradores corrijam os problemas apontados ou cancelem o acordo e deem prosseguimento à investigação.
Prejuízo à Petrobras
Porém, o Ministério da Transparência defendeu a regularidade do acordo de leniência e afirmou que a maior prejudicada pelo seu cancelamento será a Petrobras. Em nota, a pasta destacou que a empresa disponibilizou 1 terabyte de informações, onde era possível identificar crimes e seus autores. No entanto, esses dados só poderão ser usados se o documento for assinado.
O ministério também ressaltou que o acordo restringe-se aos fatos reconhecidos e documentados na investigação. Mesmo assim, há cláusulas que preveem que a descoberta de novos crimes geraria outras apurações e eventuais punições à multinacional.
Conforme a pasta, o cancelamento do compromisso poderia levar ao rompimento dos contratos da SBM com a Petrobras. E isso, segundo estudo da estatal, acarretaria queda de 15% na produção de óleo e gás entre os anos de 2016 e 2020, com prejuízo de, no mínimo US$ 12,66 bilhões — e “isso sem considerar reflexo no preço final do combustível ao consumidor, nem o impacto para a União sobre a receita tributária, em função dessa perda de produção”. Além do mais, a petrolífera deixaria de receber mais de R$ 1 bilhão em compensações, disse o ministério. Com informações da Assessoria de Imprensa do MPF.
Leia a íntegra da nota do Ministério da Transparência:
Nota à Imprensa – Acordo de Leniência com a SBM Offshore
Ciente da decisão unânime da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal de não homologar a decisão do Procurador que subscreveu, em nome do Ministério Público Federal, o acordo de leniência com a SBM, o Ministério da Transparência esclarece o quanto se segue.
O Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle celebrou, em 15 de julho de 2016, com a SBM Offshore, o Ministério Público Federal, a Advocacia-Geral da União e a Petrobras, Acordo de Leniência sobre os fatos relacionados à atuação do principal agente da SBM no Brasil durante o período compreendido entre 1996 — 2012 e todas as investigações deles decorrentes.
Para a integral vigência do acordo, conforme previsto em cláusula específica, o Ministério Público Federal submeteu o texto à apreciação da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, que, na data de hoje, se pronunciou e determinou a distribuição do acordo a outro Procurador da República para sua readequação ou prosseguimento das investigações.
O Ministério da Transparência reconhece a inequívoca competência do Ministério Público em rever os termos no acordo de leniência no âmbito de suas competências, seja com base no seu poder de investigação criminal, na Lei de Improbidade, na Lei de Organização Criminosa, na Lei da Ação Civil Pública e outros normativos jurídicos.
Na mesma linha de entendimento, o Ministério também reconhece as competências constitucionais do Tribunal de Contas da União, tendo disponibilizado total acesso aos autos, com vista ao integral acompanhamento dos procedimentos adotados. Neste momento, equipes do TCU encontram-se no MTFC realizando análise de procedimentos de Acordo de Leniência, um deles inclusive, o da SBM.
Mesmo considerando a independência de instâncias e suas respectivas competências, o Ministério esclarece e enfatiza:
- O procedimento do Acordo de Leniência por parte do MTFC observou integralmente os requisitos da Lei Anticorrupção. A SBM já disponibilizou 1 terabyte de informações, onde foi possível identificar outras pessoas envolvidas na infração. Mas essas informações somente poderão ser utilizadas se efetivado o Acordo;
– O programa de compliance da empresa foi analisado pelo MTFC e a implementação de recomendações expedidas será monitorada pelo Ministério, como exigência do cumprimento do Acordo;
– O Acordo com a SBM se restringe aos fatos e provas reconhecidos e documentados no processo de investigação. Por essa razão, não há quitação integral de eventual dano;
– Há cláusulas contratuais que preveem expressamente que a descoberta de novos fatos e documentos não abrangidos pelo Acordo implicaria numa nova investigação e eventual punição e cobrança de prejuízos causados;
– Há também cláusulas que listam os contratos que não são objetos do Acordo e que poderão ser revistos/investigados a qualquer tempo”.
Portanto está claro que o Acordo de Leniência não deu quitação total do dano e que houve efetiva colaboração da SBM.
Por outro lado, a não efetivação do Acordo de Leniência acarretará o prosseguimento do processo administrativo de responsabilização no âmbito deste Ministério, que poderá resultar na declaração de inidoneidade da SBM. E, uma das consequências, conforme avaliação da própria Petrobras, seria a rescisão dos contratos celebrados com aquela Estatal.
Esse cenário levará, segundo estudo técnico aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras, à perda da produção de óleo e gás na ordem de 15% entre os anos de 2016 e 2020. O prejuízo avaliado é de no mínimo US$ 12,66 bilhões, sem considerar reflexo no preço final do combustível ao consumidor, nem o impacto para a União sobre a receita tributária, em função dessa perda de produção.
Por fim, com a não aprovação do acordo, a Petrobras deixará de receber valor superior a R$ 1 bilhão pactuados no Acordo”.

1 de setembro de 2016, 19h40

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Petrobras e Statoil vão ampliar parcerias em futuros leilões

A Petrobras e a norueguesa Statoil anunciaram nesta terça-feira (30) um acordo para aprofundar parcerias visando futuros leilões de áreas de exploração de petróleo, em momento em que a endividada companhia brasileira enfrenta restrições de recursos.
O acordo ocorre após a estatal ter anunciado em julho venda para a Statoil de participação no bloco exploratório BM-S-8, onde está a promissora área do pré-sal de Carcará, por US$ 2,5 bilhões.
Segundo a Petrobras, o memorando de entendimento desta terça-feira dá continuidade à parceria que as empresas já têm no Brasil e no exterior.
"Os resultados que já alcançamos nas nossas parcerias na área de exploração são prova de que a Petrobras é capaz de manter seus interesses estratégicos ao mesmo tempo em que encontra formas de contornar as evidentes restrições de capital nesse momento", disse o presidente da Petrobras, Pedro Parente, em comunicado.
Atualmente, a Petrobras e a Statoil estão consorciadas em 13 blocos, em fase exploração ou de produção, sendo dez no Brasil e três no exterior.
Outro ponto do memorando será o esforço conjunto para potencializar as competências técnicas das empresas, com o objetivo de elevar os volumes de óleo recuperável em campos maduros que já estão em operação nas bacias de Campos e Santos.
"Estamos avançando numa parceria estratégica que será vantajosa para as duas empresas. A Statoil tem índices bastante elevados de recuperação de óleo em seus campos em produção, por exemplo, e nós teremos acesso a essa tecnologia por meio de um parceiro, com ganhos evidentes para os dois lados", disse Parente.
As duas companhias, que têm uma posição relevante na produção atual e futura de gás no Brasil, pretendem fazer um amplo diagnóstico do mercado de gás no país, segundo o acordo.
O objetivo será otimizar o aproveitamento do gás, incluindo infraestrutura e sua monetização, podendo ainda considerar investimentos conjuntos em projetos de escoamento e processamento, inclusive com a atração de novos parceiros.
O memorando não tem cláusulas vinculantes, mas indica a intenção das duas empresas em trabalhar conjuntamente, em um horizonte de dois anos, para viabilizar esses projetos, acrescentou comunicado da Petrobras.
Os valores envolvidos dependerão das negociações que serão feitas a partir da assinatura do documento.
(Por Roberto Samora; com reportagem adicional de Stine Jacobsen, em Stavanger)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Petrobras deve fechar maior venda da história com NTS, dizem fontes

A Petrobras está em fase final da venda de uma rede de gasodutos para um grupo liderado pela Brookfield Asset Managment, e pode vender mais que os 81% previstos anteriormente, no que seria a maior venda de ativos em valor já feita pela empresa, disseram duas pessoas com conhecimento direto do processo, que pediram anonimato porque não estão autorizadas a falar publicamente. A petroleira pode fechar venda da Nova Transportadora Sudeste antes do final de setembro e o negócio está estimado entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6 bilhões, disseram as pessoas.
O fundo soberano de Cingabura GIC, China Investment Corp., Greenwich e First Reserv Corp. também fazem parte do grupo de compradores.
A Petrobras e a Brookfield não quiseram comentar o assunto.
No centro do maior escândalo de corrupção do Brasil e lutando para recuperar investimentos em refinarias não-rentáveis, a Petrobras estabeleceu meta de venda de US$ 15,1 bilhões em ativos em dois anos até 2016 para reduzir sua dívida, a maior do setor petroleiro. A companhia vendeu US$ 700 milhões em ativos em 2015 e tem acelerado as negociações desde a entrada de Pedro Parente para o cargo de presidente em junho deste ano.
A Petrobras continuará a vender ativos nos próximos anos como parte de um esforço para reduzir pela metade sua dívida em três anos, disse Parente na segunda-feira, em uma conferência em Stavanger, Noruega. A petroleira já levantou US$ 4,6 bilhões em venda de ativos na Argentina, Chile e Brasil entre 2015 e 2016. A venda do Campo offshore de Carcará à Statoil por US$ 2,5 bilhões foi uma das maiores já feitas pela companhia.
A companhia não fechará a venda da unidade de combustível BR Distribuidora este ano, segundo Anelise Lara, gerente executiva da Petrobras, em entrevista a repórteres em 22 de julho.
"A Petrobras está desesperadamente tentando vender subsidiárias para fazer frente a uma montanha de dívida em 2017, 2018 e 2019", disse o analista Thomas Olney, da consultoria FGE.

As vendas de ativos são uma parte importante da estratégia para reduzir a alavancagem, disse Ivan Monteiro, diretor financeiro da Petrobras, a repórteres em 11 de agosto.
fonte: Sabrina Valle, Cristiane Lucchesi e Scott Deveau 29/08/201614h58

Com poços de alta capacidade, Petrobras pode usar plataforma menor

O navio-plataforma Pioneiro de Libra, em construção em Cingapura, deve começar a operar no primeiro semestre de 2017. Será itinerante: vai atuar em vários poços 

RIO - A produtividade dos poços perfurados nos campos do pré-sal na Bacia de Santos está se mostrando tão alta que está levando a Petrobras a estudar a possibilidade de, em alguns casos, instalar plataformas menores, direcionadas à produção de um único poço produtor. A diretora de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, Solange Guedes, explica que alguns reservatórios no pré-sal têm revelado a capacidade de um poço produzir até 50 mil barris por dia. Esse volume viabiliza a instalação de sistemas de produção de menor porte, mais econômicos que as grandes plataformas, que demandam muitos equipamentos. A informação foi dada pela diretora da estatal durante uma teleconferência com analistas de mercado, na semana passada, durante a apresentação dos resultados da companhia no segundo trimestre deste ano. O objetivo das plataformas de menor porte é aumentar a produção a um custo menor.

Os poços do pré-sal têm apresentado elevada produtividade, sendo que alguns atingem a produção média de 35 mil barris por dia de petróleo — volume alcançado por poucos poços no mundo, a maior parte em terra, no Irã. De acordo com geólogos, a produção de 50 mil barris diários em um poço representaria um recorde mundial.

Com uma dívida de US$ 123,9 bilhões, a maior do planeta — em grande parte resultado de negócios equivocados, revelados pela Operação Lava-Jato —, e afetada ainda pela forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional, a Petrobras tem como prioridade desenvolver projetos de maior retorno, a um custo bem menor. Segundo técnicos do setor, uma plataforma com apenas um poço para produzir 50 mil barris por dia terá um custo inferior ao de uma plataforma de 150 mil barris diários, que exige a instalação de, em média, dez poços produtores e sete injetores de água.
— Trabalharíamos com unidades com menos poços. Talvez isso seja mais rentável. É uma questão de custo/benefício, mas uma análise que deve ser feita — explicou a diretora da estatal aos analistas.
ESTRATÉGIA DE CURTO PRAZO
Segundo dados de mercado, enquanto um navio-plataforma para produzir 50 mil barris diários de petróleo pode custar em torno de US$ 1 bilhão, uma embarcação para até 180 mil barris diários custa em torno de US$ 2,5 bilhões — e seus custos de aluguel, portanto, também são maiores.
E é justamente para cortar custos e dar prioridade a investimentos no aumento da produção que a Petrobras tem reduzido a perfuração de poços exploratórios em busca de novas reservas. Atualmente, a companhia tem em operação apenas 13 sondas exploratórias, das quais cinco no pré-sal na Bacia de Santos, sendo três em Libra e duas nas áreas de Florim e Tupi Nordeste, nos blocos da cessão onerosa (regime especial para a Petrobras no pré-sal). Solange garantiu que a redução, neste momento, da atividade exploratória não afetará, no futuro, o aumento das reservas. Segundo a executiva, a suspensão das atividades exploratórias está sendo feita de maneira criteriosa.
— A estratégia da Petrobras é se concentrar no curto prazo, com o desenvolvimento da produção. Então ela está colocando o dinheiro nos poços já perfurados, para que estes entrem em produção, mas sem comprometer a produção futura. Com sua atual carteira de projetos com poços de elevada produtividade, a Petrobras pode se dar ao luxo de postergar um pouco os investimentos em exploração, sem implicar prejuízo à frente — afirmou uma fonte próxima à companhia.
A diretora de E&P informou, recentemente, que a Petrobras tem 31 sondas exploratórias contratadas, contra 48 no ano passado, e que continua negociando com os fornecedores, seja para a suspensão dos contratos de algumas, ou para a redução das taxas diárias de aluguel.
Paulo Valois, advogado especialista em petróleo e gás e sócio do escritório de advocacia L.O. Baptista-SVMFA, disse que, assim como a Petrobras, todas as grandes petrolíferas no mundo estão priorizando investimentos no aumento da produção, a fim de reduzir os custos. Prejudicadas pelos baixos preços do petróleo — um cenário que se mantém desde o fim de 2014 —, todas as petrolíferas, diz Valois, estão evitando gastos com riscos exploratórios desnecessários, a fim de reduzir ao máximo os custos e gerar caixa.
— A Petrobras está adotando uma estratégia de curto prazo correta. Quando sua dívida for equacionada, poderá retomar seus investimentos na exploração. Todas as companhias foram impactadas pelos preços baixos do petróleo e precisam reduzir custos, sendo que a Petrobras ainda sentiu os efeitos da Operação Lava-Jato — destacou Valois.
‘SITUAÇÕES BASTANTE ESPECIAIS’
A primeira plataforma que servirá para avaliar a possibilidade do uso de sistemas de menor porte em alguns campos no pré-sal será o navio-plataforma Pioneiro de Libra, previsto para entrar em operação no primeiro semestre de 2017. O FPSO (sigla de Floating Production Storage and Offloading), que tem capacidade de produzir e estocar petróleo, está sendo construído em Cingapura. Ele realizará os testes de longa duração em Libra, com um único poço, com capacidade total de 50 mil barris por dia.
Solange, da Petrobras, ressaltou, porém, que nem todos os poços no pré-sal atingem tal volume de produção: depende da capacidade do reservatório. Uma produção de 50 mil barris em um único poço acontece apenas em áreas excepcionais.
— Nós atingimos, até agora, uma capacidade de conciliar engenharia com nosso melhor reservatório, com uma projeção de que, eventualmente, possamos chegar a até 50 mil barris por poço. Mas, obviamente, trata-se de situações bastante especiais, onde podemos conciliar alta produtividade com materiais e instalações que possam resistir às condições ambientais e promover esse escoamento com essa velocidade — explicou a diretora aos analistas.
O navio-plataforma Pioneiro de Libra, que está sendo construído, será de propriedade do consórcio formado pela Odebrecht Óleo e Gás (OOG) e a norueguesa Teekay Petrojarl. O investimento é da ordem de US$ 1 bilhão, e, segundo fontes técnicas com conhecimento do assunto, a unidade já está com 85% das obras concluídas. A previsão é que o FPSO, depois de realizar os testes de produção em um dos poços em Libra, seja deslocado para realizar outros testes em mais seis poços, no mesmo campo.
A embarcação vai operar em profundidades de até 2.400 metros abaixo do nível do mar. E, como o Pioneiro de Libra se destina à realização de testes de produção em vários poços, ou seja, é itinerante, seu nível de conteúdo local é de apenas 5%. O FPSO será operado pela joint-venture por 12 anos. O navio-plataforma foi contratado pelo Consórcio de Libra, formado por Petrobras (40%), Total (20%), Shell (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%).

Fonte:POR RAMONA ORDOÑEZ
29/08/2016 4:30 / atualizado 29/08/2016 7:47

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Brasil a venda

Governo volta a discutir liberação de venda de terras a estrangeiros

A venda de terras agrícolas para investidores estrangeiros, um tema considerado fora de questão na gestão da presidente afastada Dilma Rousseff, voltou a ser discutida no governo. O deputado federal Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) informou ao jornal O Estado de S. Paulo ter se reunido, na semana passada, com integrantes da cúpula do governo para discutir a liberação da venda, com a imposição de limites.
Desde agosto de 2010, um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a Lei 5.709, de 1971, proíbe que grupos internacionais obtenham o controle de propriedades agrícolas no País. Em 2012, um projeto de lei foi apresentado no Congresso modificando a restrição, mas está com a tramitação parada.
É em cima desse projeto que Cardoso propõe modificações. “Estamos trabalhando em um texto substitutivo que autoriza a compra de terras dentro de certos limites”, disse o deputado, que coordena a Frente Parlamentar de Silvicultura. “A ideia é que haja um limite de 100 mil hectares por empresa, que pode ser ainda alterado”, disse.
Fundos soberanos e ONGs, porém, não poderiam ser compradores.
Segundo Cardoso, o governo sugeriu que fosse incluído no projeto de lei que, para liberar a venda, o investidor adquira 10% adicionais de terras para destinar à reforma agrária. Se o investidor quiser comprar além do limite de 100 mil hectares, teria de se associar a um grupo nacional – que seria majoritário no negócio – para essa expansão, como já ocorre hoje. “Mas o limite de 100 mil hectares pode ser revisto (para cima).”
O deputado acredita que o fim dessas restrições poderá destravar investimentos da ordem de R$ 50 bilhões no País em áreas agrícolas e florestais.
Reação
O assunto, porém, é polêmico. A Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) são totalmente contra o parecer da AGU e também às limitações para compra de terras. O presidente da SRB, Gustavo Diniz Junqueira, disse que a entidade já tem uma ação, com pedido de liminar, no Superior Tribunal Federal, para que torne inconstitucional o parecer da AGU. “Somos contra a restrição a estrangeiros, à limitação para compra de terras e achamos estapafúrdia essa proposta de impor a flexibilização à liberação de 10% de área para reforma agrária.
São coisas diferentes.” Segundo Silvio Teixeira, da Ibá, a entidade deverá ir à Justiça, caso o governo decida por um teto para a compra de terras.
Para o advogado Aldo De Cresci Neto, especialista em florestas e secretário executivo da Frente Parlamentar de Silvicultura, o Congresso busca um meio-termo sobre o tema. Segundo ele, outra possibilidade, que não foi descartada por Cardoso, seria o registro do grupo estrangeiro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Procurada, a Casa Civil da Presidência da República informou que o presidente em exercício Michel Temer solicitou um parecer sobre o tema ao ministério. 
Fonte: O Estado de S. Paulo.
Nota (Andre Costa): que permita, mas toda a produção ser brasileira e os recursos gerados investidos no Brasil, mas isso nunca aconteceria. Então é NÂO. O Brasil não está a venda!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Padilha diz que Petrobras fará aporte para viabilizar realização da Paralimpíada

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, informou nesta terça-feira que a Petrobras será uma das estatais federais que farão aportes para a realização da Paralimpíada, que começa no dia 7 de setembro, no Rio.
No total, a União participará com R$ 100 milhões, divididos entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Caixa Econômica Federal, Embratur, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Petrobras.
A Apex contribuirá com R$ 30 milhões, enquanto a Embratur entrará com outros R$ 8 milhões. Padilha não revelou de quanto seria o aporte da Petrobras e dos demais órgãos federais.
A petroleira havia decidido não patrocinar a Olimpíada por causa da grave crise que enfrenta desde o início das investigações da Operação Lava Jato. A estatal declarou no último balanço, referente ao segundo trimestre de 2016, que possui uma dívida R$ 332,4 bilhões.
Nas últimas semanas, no entanto, houve uma mobilização do governo federal para viabilizar a realização da Paralimpíada, depois que o Comitê Rio-2016 anunciou que não tinha recursos para arcar sozinho com os gastos.
Além dos R$ 100 milhões do governo federal, a prefeitura do Rio aportará R$ 150 milhões na organização dos Jogos Paralímpicos.
fonte: Estadão

A importância da qualidade da água na produção de cerveja

A água é o principal constituinte da cerveja, correspondendo a aproximadamente 95% da bebida e, por esse motivo, suas características influe...