sábado, 19 de outubro de 2013

Veja críticas e argumentos contra o primeiro leilão do pré-sal

O primeiro leilão do pré-sal brasileiro, do campo de Libra, tem sido alvo de críticas de diversos setores da sociedade. Até a noite de sexta-feira (18), 19 ações judiciais foram propostas em todo o Brasil, das quais sete já tinham sido negadas pela Justiça.
As críticas abrangem desde pontos específicos do edital, a falta de estudos mais abrangentes, até a própria validade da realização de um leilão.
Veja abaixo algumas críticas e argumentos contrários ao leilão.
Governo pode deixar de arrecadar até R$ 331,3 bilhões
O governo brasileiro pode deixar de arrecadar até R$ 331,3 bilhões em 35 anos com o leilão do pré-sal, afirma Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras no governo Lula e atual professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP. O valor da perda foi calculado pela aluna de doutorado Larissa Araújo Rodrigues.
O cálculo considera royalties de 15%; imposto de renda de 34% sobre o lucro; bônus de assinatura de R$ 15 bilhões, conforme determinado em edital; preço do barril de petróleo a US$ 160; e dólar a R$ 2,20.
Em outros cenários, com o preço do petróleo mais alto ou mais baixo que o estipulado, as perdas do governo variam. Com o barril a US$ 60, o governo deixaria de arrecadar R$ 176,8 bilhões; se o barril valer US$ 105, as perdas do governo são de R$ 222,3 bilhões.
Brasil não vai controlar ritmo da produção do petróleo 
Um dos argumentos de quem é contra o leilão é de que ele fere o "interesse nacional", porque, com o modelo adotado pelo edital, faz com que o Brasil renuncie ao controle do ritmo de produção de petróleo para atender à demanda dos países consumidores.
"Eu sou contra a realização do leilão já por causa deste ponto", afirmou o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer. Junto com o advogado Fábio Konder Comparato, ele protocolou uma das ações contra a realização dos leilões que foi indeferida pela Justiça.
"Estrategicamente, o Brasil deveria se alinhar à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e à Rússia, que são os grandes produtores de petróleo. Juntos, eles conseguem manter o preço do barril em cerca de US$ 100. A China está preocupada em garantir o abastecimento de petróleo para alimentar o seu crescimento econômico e, para ela, interessa um preço mais baixo", argumentou.
Três das onze empresas que vão participar do leilão são chinesas.
União pode receber menos que o mínimo determinado em Lei
No que diz respeito à legislação brasileira, são atacados alguns pontos do edital para o leilão do pré-sal, com base na lei da partilha (Lei nº 12.351/2010).
O edital prevê que os valores ofertados pelas empresas deverão ser compostos exclusivamente pelo percentual de Excedente em Óleo para a União. Vence o leilão a empresa que apresentar o melhor retorno para o governo.
Pela lei da partilha, é preciso determinar um percentual mínimo para este excedente, chamado óleo-lucro, que foi definido em 41,65%. Na tabela 10 do edital, no entanto, o governo flexibiliza esta proporção, condicionando-a ao preço do barril e à produtividade dos poços.
Assim, no pior cenário possível, se o preço do petróleo chegar a menos de US$ 60,01 e a produção diária dos poços for de menos de 4.000 barris, o excedente em óleo para a União seria de apenas 9,93%.
No melhor cenário, que considera o petróleo a US$ 160 e a produção média acima de 24 mil barris por dia, o percentual mínimo seria de 45,56%.
Petrobras já assumiu todos os riscos e custos da descoberta
De acordo com o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer, o modelo do leilão de pré-sal não poderia ser a partilha da exploração, porque a lei determina que, nestes casos, o risco da descoberta do petróleo deve ser da empresa contratada.
Só que, no caso do pré-sal, a Petrobras já descobriu o petróleo na região, então a exploração já está garantida.
Além disso, o edital da ANP não prevê a devolução dos custos de descoberta. "Foi a Petrobras que perfurou o poço e fez os estudos iniciais", disse Sauer. Ele estima que os custos rondem US$ 100 milhões, "e sua devolução pela empresa que vencer o leilão não está prevista no edital", afirmou.
Melhor campo está sendo usado para 'teste'
O Tribunal de Contas da União também fez críticas em relação ao modelo adotado para licitar áreas no pré-sal. Segundo o ministro José Jorge, que foi relator do parecer do TCU, os estudos que basearam o edital são frágeis e não há um plano para os próximos campos que serão licitados.
José Jorge chamou a atenção para o fato de o campo de Libra, que é o maior do pré-sal, ser o primeiro a ser leiloado. "Estão usando o melhor campo descoberto até agora para fazer um teste", disse.


Luiza Calegari. Do UOL, em São Paulo 18/10/2013. 21h28

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Veja as principais regras do leilão e contrato de Libra.

RIO DE JANEIRO - O governo separou a maior descoberta de petróleo já realizada no Brasil para leiloar na segunda-feira, em regime que garante à União a gestão das reservas.

A primeira rodada de licitações do pré-sal licitará Libra, uma área com volume de 8 bilhões a 12 bilhões de barris recuperáveis de óleo na bacia de Santos.

Veja a seguir as principais regras para a licitação e o contrato de Libra:

REGIME DE PARTILHA - Para regiões consideradas estratégicas como a do pré-sal de Santos, o atual regime de concessão foi substituído pelo modelo de partilha da produção, pelo qual as empresas se comprometem a compartilhar com a União uma parcela no volume de óleo produzido no campo.

ESTATAIS NA GESTÃO - Seja qual for a empresa ou consórcio vencedor da área de Libra, terá de se aliar à Petrobras e à Pré-Sal Petróleo SA (PPSA), estatal criada para representar a União na gestão das áreas da partilha.

PETROBRAS OPERADORA - A Petrobras será operadora da área de Libra com no mínimo de 30 por cento de participação no consórcio que ficar com a área.

DISPUTA - As empresas ou consórcios interessados no primeiro leilão do modelo de partilha disputarão os 70 por cento restantes da participação de Libra segundo o critério da oferta de maior excedente em óleo para a União. Quem oferecer a maior parcela de óleo à União, descontados os custos para viabilizar a produção, ganhará a licitação.

ROYALTIES - Os royalties serão pagos no montante correspondente a 15 por cento do volume total da produção de petróleo e gás.

PISO DO LEILÃO - As ofertas dos concorrentes ao bloco de Libra deverão respeitar o percentual mínimo de 41,65 por cento do petróleo, após o desconto dos custos de produção (que incluem os royalties).

BÔNUS DE ASSINATURA - O governo determinou que o consórcio vencedor de Libra pagará um bônus de assinatura fixo de 15 bilhões de reais, dos quais 50 milhões de reais ficarão com a Pré-Sal Petróleo (PPSA).

PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO - A fatia do governo nos ganhos obtidos com Libra poderá chegar a 75 por cento ou mais, incluindo o excedente em óleo, tributos e o bônus de assinatura, na avaliação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

CONCORRÊNCIA - Um mesmo grupo societário não pode participar de consórcios concorrentes na licitação, o que foi avisado a duas estatais chinesas que se inscreveram para participar do leilão, CNOOC e CNPC . Outras nove empresas estão inscritas para participar do leilão: a japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a malaia Petronas, a colombiana Ecopetrol, a Petrogal (da portuguesa Galp e da chinesa Sinopec), a Petrobras, a hispano-chinesa Repsol Sinopec Brasil (da Repsol com a Sinopec), a anglo-holandesa Shell e a francesa Total.

PRAZOS - O contrato de partilha para a área de Libra terá duração de 35 anos, dos quais 4 anos serão voltados para a fase de exploração e o restante destinado ao desenvolvimento e produção.

PARTILHA - A União e o consórcio vencedor partilharão mensalmente o volume de petróleo e gás natural produzido em Libra. A parcela do excedente em óleo que caberá à União deverá variar de acordo com a média do preço do petróleo tipo Brent e a média da produção diária de petróleo dos poços produtores do campo.

COMPENSAÇÃO POR INVESTIMENTOS - O consórcio vencedor poderá recuperar mensalmente o custo em óleo (entre investimentos realizados para explorar e desenvolver a área), respeitando o limite de 50 por cento do valor da produção nos dois primeiros anos de produção e de 30 por cento do valor da produção nos anos seguintes, para cada sistema produtivo do bloco. No entanto, se os gastos não forem recuperados neste período, havendo necessidade, o consórcio poderá ficar com o percentual de 50 por cento do valor da produção até que os respectivos gastos sejam recuperados.

RECONHECIMENTO DE GASTOS - Os gastos para a área de Libra terão de ser aprovados pelo Comitê Operacional, responsável pelos planos da área petrolífera, formado pelas empresas (inclusive Petrobras) e pela PPSA, estatal que representa a União, e posteriormente chancelados pela PPSA individualmente.

PODER GOVERNAMENTAL - A Pré-Sal Petróleo (PPSA) terá 50 por cento do poder de voto no Comitê Operacional, enquanto a Petrobras terá no mínimo 15 por cento dos votos. Desta forma, o governo terá pelo menos 65 por cento do poder de voto na gestão da área do pré-sal, com possibilidade de este percentual crescer caso a Petrobras entre com participação no consórcio acima do mínimo exigido por lei.

CESSÃO - A área de Libra poderá ser objeto de cessão por parte das empresas, mediante prévia anuência do governo, ouvida a ANP.

EXPORTAÇÕES - As empresas que participarem do consórcio de Libra poderão dar o destino que quiserem ao petróleo de sua cota na partilha, ficando livres para exportá-lo. No entanto, em situações de emergência que possam colocar em risco o abastecimento nacional de petróleo, bem como de seus derivados, a ANP poderá determinar ao contratado que limite suas exportações.


Reuters, por Sabrina Lorenzi (17/10/2013. 12h10)

Leilão de Libra não justifica greve dos petroleiros, avalia secretário

RIO  -  A principal motivação da paralisação dos petroleiros iniciada nesta quinta-feira se relaciona à obtenção do acordo coletivo salarial, avalia o secretário de óleo e gás do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antonio Almeida, que não vê o leilão de Libra como justificativa para o movimento. "Estamos em um momento de acordo coletivo. Então, não sei até que ponto [o leilão de Libra] seria motivo para uma greve dessa. A Petrobras vai participar de Libra", afirmou.

Já Helder Queiroz, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), afirmou que a greve dos funcionários da Petrobras é legítima e que, em tese, os sindicalistas pedem o retorno do monopólio. Entretanto, ele frisou que é esperado que se haja ordem e segurança.

Queiroz destacou ainda que o marco regulatório do setor atual foi construído e aprovado pela sociedade. "Cabe a nós [ANP] garantir que o marco regulatório seja cumprido", afirmou.

Os 15 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiram na quarta-feira aderir ao indicativo de greve lançado pela entidade na semana passada. As paralisações começaram nesta quinta-feira e, de acordo com a federação, não têm prazo para terminar. Estão sendo organizadas marchas e mobilizações em todo o país.

As reivindicações são o cancelamento do leilão do campo de Libra e avanços na campanha salarial. A categoria tem cerca de 150 mil trabalhadores da Petrobras, Transpetro e subsidiárias e pede aumento de 20,32%, a ser dado de maneira escalonada— reajuste de 6,6%, relativo à variação do Índice do Custo de Vida do Dieese (ICV),  mais 5% de ganho real em cima do valor corrigido e, sobre ele, a variação do PIB de 2010 (7,5%), “a título de produtividade”.

7/10/2013 às 12h45. © 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. Por Marta Nogueira | Valor. Dado Galdieri/Bloomberg


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Leilão do pré-sal está mantido e governo emitirá nota para explicar espionagem

DE BRASÍLIA - O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que está mantido para outubro o leilão do pré-sal, apesar das recentes denúncias de que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) teria espionado documentos da Petrobras.

"Eu não tenho nada a declarar. Quem vai tratar desse assunto é a presidente da República e o Itamaraty", disse.

Leilão faz Petrobras buscar acerto com China
Vencedor do primeiro leilão do pré-sal terá de pagar R$ 15 bi à União

O ministro evitou comentar se considera o episódio grave.

"A Petrobras vai emitir uma nota ainda hoje [sobre o assunto]", explicou o ministro. "Tudo está mantido conforme estava programado".

NOTA

A presidente Dilma Rousseff também comentou o caso, destacando que vai soltar uma nota ainda hoje, "que será muito satisfatória".

Ontem, reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, informou que novos documentos, classificados como 'secretos' vazaram e indicaram que a estatal também foi espionada.

Os documentos seriam de maio de 2012. A reportagem destacou que não há informações sobre a extensão da espionagem, mas que estavam na rede informações estratégicas associadas a negócios que envolvem bilhões de reais, como o leilão, marcado para outubro, que é da exploração do Campo de Libra, na Bacia de Santos, parte do pré-sal.

(Fonte: Folha de São Paulo/Julia Borba, Natuza Nery, Tai Nalon e Flávia Foreque) 11/9

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ANP rejeita planos da OGX para Tubarão Azul, dizem fontes.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu a análise e rejeitou os planos da petroleira OGX para o campo de Tubarão Azul, disseram duas fontes do governo com conhecimento do assunto.
"Eles propuseram furar poucos poços e a ANP não aceitou", disse uma das fonte à Reuters, sob condição de anonimato.
O plano de desenvolvimento do campo estava sob análise da equipe técnica da agência para determinar sua viabilidade econômica, após uma queda na produção.

"O plano de Tubarão Azul, na verdade, nunca foi aprovado pela agência, pois sempre teve pendências", afirmou outra fonte, também com conhecimento direto do assunto, pedindo para não ser identificada.
Após redução significativa da extração de petróleo no campo de Tubarão Azul nos primeiros meses do ano, a OGX informou ao mercado que deixaria de investir no aumento de produção da área, pedindo autorização da agência para reduzir o ritmo exploratório.

O plano de desenvolvimento está sendo reencaminhado à OGX, que pode propor aperfeiçoamentos, disse a primeira fonte.
A expectativa no governo, porém, é que a empresa devolva Tubarão Azul devido a sua posição financeira, disse uma fonte à Reuters na semana passada.

As duas fontes disseram ainda que a ANP não concorda com a abreviação na exploração do campo.
A diretora da ANP, Magda Chambriard, chegou a dizer que iria analisar "pessoalmente" os dados. Ela afirmou, em julho, que caso não aceitasse o plano de desenvolvimento da OGX, poderia pedir um novo plano. Se a empresa rebatesse dizendo que não havia viabilidade econômica, teria que devolver o campo.

A OGX negou que o seu plano tenha sido rejeitado pela ANP.
"O Plano de Desenvolvimento de Tubarão Azul está ainda em análise na ANP, não tendo sido negado, nem solicitado nenhum esclarecimento adicional até o momento", afirmou a empresa em resposta à Reuters.
Procurada, a ANP não comentou imediatamente as informações.

PRODUÇÃO EM QUEDA
A empresa do grupo de Eike Batista informou em julho que a extração no campo poderá parar no ano que vem, por falta de tecnologia capaz de viabilizar economicamente investimentos adicionais.
Mas fontes do setor afirmam que o campo apresenta problemas na pressão desde meados do ano passado.
A produção em mar da OGX, em vez de subir como se esperava, ficou estagnada, na média de 10 mil barris por dia, de agosto a dezembro do ano passado, elevando-se para 13,2 mil barris por dia em janeiro de 2013 e despencando para 1,8 mil barris diários em abril.

Em julho, o campo de Tubarão Azul, o único da companhia com produção de petróleo em mar, teve sua menor produção desde que entrou em operação, em fevereiro de 2012. No mês passado, os dois poços em funcionamento no campo (OGX-26HP e OGX-68HP) operaram apenas durante três dias, bombeando um total de 900 boe/pd, queda de 91 por cento ante junho.
A companhia amargou prejuízo de 4,7 bilhões de reais impactado principalmente pela provisão de perdas com campos de petróleo considerados inviáveis economicamente.

11ª RODADA
A fonte disse ainda que as autoridades federais aguardam o pagamento do bônus dos blocos arrematados pela OGX na décima primeira rodada de leilões de blocos de petróleo, realizada em maio.
A OGX arrematou 13 blocos sozinha e em parcerias na rodada, oferecendo o pagamento de bônus de cerca de 370 milhões de reais, cujos pagamentos devem ser concluídos até o fim de agosto.
"Eles já pagaram sócios nos blocos em que não são operadores... A expectativa pelos outros (pagamentos) e o DARF (guia de pagamento) ainda não apareceu", disse uma das fontes.
Em evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard disse que até o momento não foi informada sobre pagamento pela OGX de bônus da décima primeira rodada.

12ª RODADA
A minuta do edital da 12a rodada, para áreas de exploração de gás, será divulgada na semana que vem, acrescentou a primeira fonte, ligada ao governo.
A principal novidade será a exigência da atuação de uma empresa com experiência em gás não convencional.
A 12ª rodada, prevista para novembro, vai incluir 240 blocos com potencial de gás natural e gás não convencional, que em países como os EUA, é extraído do xisto.

"É o que a gente chama de exploração em Y, ou seja, se descobrir gás convencional a exploração será igual a de outras concessões, mas se for gás não convencional vamos exigir a presença de um operador com experiência no tema, até como garantia de segurança", disse a fonte.
Segundo a fonte, a concessionária --caso não tenha experiência-- poderá fazer uma contrato de prestação de serviço com a empresa especializada na atividade de fraturamento para a exploração do gás não convencional.
A entrada de uma empresa com conhecimento prévio em produção em áreas não convencionais seria exigida apenas a após a confirmação deste tipo de gás, disse a fonte.
A empresa com experiência comprovada pode ser brasileira ou estrangeira, disse a fonte, citando a Petra e a Queiroz Galvão como operadoras com essas características.

Se todos os blocos forem arrematados, a expectativa é de arrecadação de 200 milhões de reais.
"Nosso objetivo não é fazer dinheiro, mas avançar na exploração e conhecer mais o Brasil. O Brasil tem 25 mil poços perfurados e os EUA, só em shale gas (gás de xisto) tem mais de 100 mil", avaliou.

Por Rodrigo Viga Gaier e Sabrina Lorenzi. RIO DE JANEIRO, 26e Ago (Ruters).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Venda da LLX depende do BNDES

A venda do controle da LLX Logística, do grupo EBX, para o fundo EIG, depende da quitação de um empréstimo ponte no valor de R$ 518,5 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), feito para a LLX Açu Operações Portuárias, que vence em setembro.

A venda foi anunciada na semana passada, no valor de R$ 1,3 bilhão. Segundo o banco de fomento, essa é a única dívida direta da empresa de logística de Eike Batista com o BNDES, já que o empréstimo de longo prazo, para substituir o empréstimo ponte, ainda não tinha sido aprovado.

A LLX tem duas opções para viabilizar a operação: o grupo EIG pode fazer a aquisição da empresa com a dívida, ou a LLX quita as dívidas antes. É preciso, ainda, fazer uma anuência para alterar a titularidade do projeto, mas fontes do BNDES asseguram que isso não é problemas, uma vez que o fundo é conhecido no mercado. Quando o grupo alemão E.ON assumiu o controle da MPX, por exemplo, a troca no comando não gerou nenhum problema.

A LLX confirmou que mantém "negociações avançadas" com o BNDES e com o Bradesco para extensão do prazo de pagamento de suas dívidas junto a essas duas instituições. As dívidas de curto prazo com os dois bancos somam R$ 863 milhões. A LLX possui obrigação de R$ 518 milhões junto ao BNDES, originado de contrato de financiamento firmado em março de 2012.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, considerou normal que empresas interessadas no grupo EBX procurem o banco de fomento. "Na medida em que várias empresas têm migrado para novos controladores, nós podemos examinar dentro das regras normais", disse Coutinho, que participou do encerramento do Workshop Integra Brasil, promovido pelas federações de indústrias do Nordeste. "É natural que uma empresa que quer levar adiante um empreendimento de médio e longo prazo pergunte ao BNDES se ela está qualificada. Examinaremos como em qualquer outro caso", acrescentou.

Para Coutinho, dentro do processo de reestruturação das empresas, prorrogar o empréstimo-ponte de R$ 518,5 milhões para LLX não seria um ato extraordinário. O banco já prorrogou um empréstimo-ponte feito à OSX - grupo de construção naval e afretamento de plataformas do grupo EBX - que vencia na semana passada, em 70 dias. O valor do empréstimo é de R$ 418 milhões e vencia na semana passada. "A prorrogação do prazo do empréstimo-ponte é para dar tempo ao processo de reestruturação. É natural", frisou.

No caso do Bradesco, a empresa tem empréstimo de R$ 345 milhões, originado de contrato de financiamento de setembro de 2010. A dívida foi renegociada em agosto de 2012, e possui vencimento em fevereiro de 2014. A companhia também trabalha em nova rolagem para esse montante.

Em horizonte de médio prazo, a LLX possui ainda outro empréstimo com o Bradesco, de R$ 467 milhões, originado de contrato firmado em maio de 2011. Mas essa dívida já foi renegociada em abril de 2013, com prazo estendido por 18 meses. O vencimento atual desse empréstimo, após a rolagem, ficou para outubro de 2014.

Outra empresa do grupo EBX chamou a atenção do mercado ontem foi a MPX. A ações da companhia de energia caíram 4,9% e fecharam a R$ 5,09, surpreendendo alguns analistas, que não enxergavam um motivo aparente que justificasse a reação do mercado. Os papéis estão sendo negociados abaixo do preço de subscrição de R$ 6,45 para o aumento de capital da companhia (atualmente em curso), no valor de R$ 800 milhões.

A analista do banco UBS, Lilyanna Yang, afirmou, em seu relatório, que reduziu o seu preço-alvo para a empresa de energia em R$ 0,50, para R$ 8,5 por ação, devido ao mau desempenho no segundo trimestre. Segundo ela, existe o risco de que as despesas operacionais aumentem acima do previsto, como ocorreu no segundo trimestre. A redução de R$ 0,50 no preço-alvo da ação reflete, em parte, a frustração dos resultados no terceiro trimestre (R$ 0,30) e a formação de um "colchão" para contingências adicionais (R$ 0,20), afirmou.


Fonte: Valor Econômico/Elisa Soares, Alessandra Saraiva e Cláudia Facchini | Do Rio e de São Paulo  *Noticiário cotidiano - Indústria naval e Offshore. Ter, 20 de Agosto de 2013 08:02

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Governo pode rever papel da Petrobras no pré-sal

Para reduzir a pressão sobre a Petrobras, o governo avalia duas medidas: mudar a legislação para desobrigar a estatal de ser operadora e de deter pelo menos 30% de cada poço de petróleo do pré-sal e aumentar, ainda que parceladamente, os preços dos combustíveis. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, será consultado e poderá dar a palavra final sobre o reajuste da gasolina e do diesel reivindicado pela Petrobras. O aumento dos derivados só deve ser aprovado se couber no orçamento de inflação deste ou do próximo ano, disse uma fonte qualificada do Palácio do Planalto.
O compromisso do BC é entregar, neste ano, uma variação do IPCA (o índice oficial da inflação) menor que os 5,84% do ano passado e, para 2014, algo abaixo do que for neste ano. E a presidente Dilma Rousseff não quer comprometer esses objetivos. Já a iniciativa de mudar a lei, se for concretizada, não será a tempo de incluir a participação no leilão do campo de Libra, em outubro.
São grandes as pressões da estatal para obter aumento de preços, sobretudo após a mudança de patamar da taxa de câmbio. Sem a correção e com imensa demanda por investimentos, a Petrobras ficará em situação difícil e corre o risco de perder o "grau de investimento" das agências de rating.
A história da inflação no Brasil é rica em exemplos de insucesso nas tentativas de estabelecer controle de preços. Nos anos 1980, também para segurar os reajustes dos combustíveis e a inflação galopante, o governo usou a conta petróleo - mecanismo criado nos anos 60 para equalizar os preços dos derivados no território nacional - para subsidiar a Petrobras, cujos preços eram tabelados. Essa conta chegou a valores gigantescos e só acabou no fim dos anos 90, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que fechou o "rombo" com a emissão de dívida pública.
Em 2010, a ideia de controlar a inflação represando os reajustes dos combustíveis até parecia boa. Hoje, o governo admite que está em uma armadilha.

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A importância da qualidade da água na produção de cerveja

A água é o principal constituinte da cerveja, correspondendo a aproximadamente 95% da bebida e, por esse motivo, suas características influe...